João Pessoa, 24 de junho de 2025 | --ºC / --ºC Dólar - Euro
A imagem de Bianca Alencar dizendo que a comida nordestina é ´lavagem´ nos remete para a miséria brasileira, a civilização de nativos, que não tem nenhuma construção cultural, nenhuma afirmação, mesmo que paradigmas não se desconstroem sozinhos.
Outras vezes isso acontece com pessoas que atacam diretamente a nós nordestinos, mas isso não nos atinge. Tenho pena da Bianca que perdeu seu emprego e ainda foi para as redes se desculpar.
Quando me lembro que em São Paulo, andando nas ruas com a jornalista Selma Tuareg e as pessoas escutavam meu sotaque, me olhavam como um ET e isso também aconteceu em Paris, por insultos dos argelinos – como já disse, isso é da civilização que não consegue sedimentar nada.
Essa malandragem que atravessa séculos é dizem ser uma afirmação de uma identidade genética, também não convence. Muitas vezes elegemos um ´penetra´ para depois colocá-lo para fora do nosso quintal. Não há problema algum em sustentar isso, caso o Nordeste fosse independente como está no poema de Bráulio Tavares – ´começando uma vida diferente, de que a gente até hoje tem vivido, imagina o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente´
Não se tem notícia de um nordestino dizer que a comida de São Paulo é ´lavagem´, até porque não é. Sou contra qualquer tipo de revidar com violência, nem verbal. E sou contra qualquer tipo de preconceito.
Dentro do preconceito tem vários preconceitos.
Discordo da ditadura dos imbecis imposta pela futilidade de consumo e da busca desesperada de querer viralizar, por um modelo jamais alcançado.
É um ciclo vicioso, até decidirmos quebrar o paradigma.
Tenho pena da moça. E nada mais.
Kapetadas
1 – Ser humorista no Brasil é uma piada.
2 – Eu ia escrever um texto sobre quem deixa tudo para depois do feriado, mas acabei deixando para depois do feriado.
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 27/08/2025