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Médico. Psicoterapeuta. Doutor em Psiquiatria e Diretor do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba. Contato: [email protected]

A subcultura dos trotes

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publicado em 22/03/2022 às 07h20

O trote tem referências na idade média. E trote é isso mesmo: igual a cavalo. Ele precisa andar numa determinada marcha quando sob comando. Os estudantes recém-chegados também. Eles são tratados de forma animalesca. Tudo ocorreria como num rito de passagem, que são observados em culturas tradicionais, onde, as indígenas, são campeãs.

Na iniciação, ocorre uma espécie de encontro com os mitos, algo necessário para que o indivíduo atinja um novo ciclo, como que marcasse as diferenças entre habitantes; diferenças necessárias às trocas e cooperações. No trote, domina a irracionalidade, o abuso puro e simples.

Longe disso, na UFPB, ocorre uma recepção, em que os novatos são recebidos por professores, inicialmente, e por seus colegas de Centro Acadêmico, ocasião em que visitam instalações, realizam palestras sobre o curso, e, praticam, antes de tudo, o respeito pelos mais jovens. Isso é que é um trote verdadeiro. Os praticado por aí, como Universidade Santo Amaro, não passa de humilhações ridículas contra quem chega inseguro e ainda desorientado no novo espaço de convivência.

Nesse primeiro semestre de 2022, no retorno às aulas presenciais, todos somos calouros. Alunos do 4º período, até então não conhecem suas escolas. Um novo tempo apesar de todos os perigos. Com ou sem máscaras, com ou sem carnaval, é inaceitável tolerar veteranos e suas sandices, para fazer um autêntico mela-mela num esdrúxulo carnaval de rua fora de época e, mais ainda, fora de propósito.

O trote se sustenta como uma cultura do medo frente a atitudes coercitivas. Pior: ele é seguido por discriminação implacável contra aqueles que se recusam a participar dos maus-tratos. Recusam-se a reproduzir uma subcultura de submeter o outro a rituais sádicos, incompatíveis com “veteranos” que escolheram a carreira médica.

Os excessos já foram denunciados por reportagens do UOL, da Veja e continuam como se nada tivesse sido dito. Espero que não repitam o absurdo de há dez anos, quando foi encontrado morto, na piscina, o estudante Edson Tsung, na manhã seguinte ao churrasco de boas-vindas.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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