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Magistrado, colaborador do Diário de Pernambuco, leitor semiótico, vivendo num mundo de discos, livros e livre pensar. E-mail: adhailtonlacet123@gmail.com

A felicidade de criança

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publicado em 27/01/2022 às 07h18
atualizado em 27/01/2022 às 04h20
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Alguém já disse que a infância é o maior celeiro de recordações, boas ou más, embora tem gente que não lembra nada do seu tempo de criança. Outros, a exemplo do cantor Ataulfo Alves, (foto) dizia que era feliz e não sabia. A verdade é que, quando pequeninos, trazemos consigo a pureza em sua essência. E nessa inocência as crianças são felizes, quando não submetidas a situações extremadas, como fome, violência, miséria absoluta.

Fui uma criança feliz. Mesmo não vivendo em opulência, nunca me faltou comida e um lugar aconchegante para dormir. Como caçula da família herdava dos irmãos mais velhos roupas e alguns brinquedos que não mais lhes serviam. Imaginem a felicidade em receber um sapato Conga ou um pião usado descartado pelos irmãos. Como na rua  em que morávamos no Varadouro ninguém era mais rico que o outro, não sabíamos o que era inveja muito menos maledicência.

As conquistas materiais de nossa mãe – já viúva e provedora da casa – também era motivo de muita felicidade. A compra do primeiro fogão a gás; a televisão em preto-e-branco pomposamente instalada na sala de visitas, cuja porta e janela já davam acesso direto para a calçada; a primeira geladeira que trazia duas caçambas de alumínio para formação de cubos de gelo. Ah, cheiros e sabores da infância! Ainda hoje lembro o gostinho do kisuco de morango servido bem geladinho. Recordo a  sala apinhada de gente para assistir à programação da TV.  Ainda hoje lembro da voz afeminada de um adolescente chamado Jeová e gritando na janela pelo apelido de meu irmão: Danda!!! Tem gelo??? Talvez quisesse esfriar seu coração por uma paixão não correspondida, diziam as más-línguas.

Muitos dos brinquedos que usávamos eram manufaturados por nós mesmos, como patinetes e baladeiras para guerras com as bolinhas espinhosas da carrapateira (planta que deu nome a um irreverente grupo de rock criado em 1989: Mamonas Assassinas). Piões, pipas e balões eram feitos pelos mais habilidosos, como também os times de futebol de botão, além da bola de meia para as peladas na rua. Brinquetos industrializados era artigo de luxo e quase não existiam em nossa orbe, vez por outra aparecia um velocípede ou bicicleta na praça que ficava a poucos metros de nossa casa.

Era disso que era feita a nossa felicidade. Sim, seu Ataulfo, fomos felizes e sabíamos.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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