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Marcos Pires é advogado, contador de causos e criador do Bloco Baratona. E-mail: marcos@piresbezerra.com.br

Macêpa

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publicado em 20/11/2021 às 08h16
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Nascido Marcos Antônio Carlos Alberto Bertoso seu nome foi diminuindo até se consolidar como Macêpa. Estreou no Manaíra e foi adotado pelos poderosos porque tomava conta dos seus carros. Chegou a ganhar uma casa que trocou, três meses depois, por uma geladeira. Registro que em 15 dias a tal geladeira quebrou para nunca mais.

Uma vez eu o levei para morar em meu apartamento no Rio de Janeiro, onde lhe franqueei conta aberta no restaurante que havia em frente ao prédio. Dias depois ele me surpreendeu dizendo que queria voltar porque não me aguentava mais. Paciência; fazer o que? Embarquei-o de volta a João Pessoa e no dia seguinte fui ao tal restaurante pagar o seu consumo. Em 10 dias aquela hipótese humana (no dizer do Professor Dorgival) havia comido “apenas” 22 estrogonofes de camarão.

Macêpa tem características incríveis. Nunca ter trabalhado na vida é a menor delas. Minha amiga Andrea Santiago diz que ele tem o dom da ubiquidade porque consegue estar em várias festas e shows ao mesmo tempo. É depositário de informações preciosíssimas para os pais preocupados, com quem fofoca sobre o comportamento e as amizades dos filhos. É gago e tentava explicar que era ini…ini…ini… . Os circunstantes quiseram abreviar aquele suplicio e sugeriram que ele era inigualável, inimitável, inestimável…. Ele balançava a cabeça negando enquanto continuava com aquela cantilena de ini…ini… . Enfim disparou: “- Qui, qui, qui eu sou é ini e vortando”.

Certa feita meu amigo Mingo, com raiva de um concorrente amoroso que lhe tomara uma paquera, mandou pintar-lhe o cabelo e as sobrancelhas de louro, sugerindo parentesco dele (afrodescendente) com o desafeto, de descendência alemã. Deu-se que naquela noite meu amigo Ivan havia tomado uns grogues a mais e estacionou seu Opala 4 portas, bancos inteiriços, no acostamento da av. Tamandaré, que à época era mão dupla.

Deitou no banco dianteiro e dormiu. Pela madrugada Macêpa passava e viu o carro parado. Abriu a porta traseira e foi dormir, sem que Ivan se desse conta. Meia hora depois uma Kombi que vinha em sentido contrário capotou e veio se arrastando em direção ao Opala, com um princípio de incêndio. Macepa e Ivan acordaram com o barulho. Enquanto via aquela bola de fogo vindo em sua direção, Ivan ouviu o grito de Macepa: “- Cabo Ivan, morremo”. Virando-se Ivan viu um Macepa louro que nem sabia estar ali. “- Naquela hora eu tive certeza de que morrera e havia ido para o inferno”, lembra até hoje o “cabo” Ivan.

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A ilustração da coluna de Marcos Pires, é o verdadeiro Opala de Ivan, o terribele (K)

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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