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Entrevista MaisPB: Kleiton & Kledir celebram 40 anos de grandes sucessos

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publicado em 08/08/2020 às 10h01
atualizado em 08/08/2020 às 10h58
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Foto: Beto Scliar

reportagem: Kubitschek Pinheiro

fotos: Rodrigo Lopes e Beto Scliar 

Exatamente neste ano, que já se aproxima do final, os irmãos Kleiton & Kledir haviam preparado uma vasta programação para celebrar os 40 anos de trajetória. A comemoração começaria com o espetáculo Kleiton & Kledir + OSPA Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (com apresentações em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro), seguido de show em Nova Iorque, biografia, exposição retrospectiva multimídia, um longa metragem e um especial para TV. Tudo isso foi atropelado pela pandemia e o coronavírus adiou por tempo indefinido os projetos.

A boa notícia é que o projeto “Kleiton & Kledir Ao Vivo”, lançado originalmente há 15 anos, ganhou edição especial reeditada e remasterizada, com selo da Biscoito Fino. O material também conta com um videoclipe e o making off (extraídos do DVD) que mostram os bastidores da dupla viajando de Pelotas a Porto Alegre, relembrando pessoas e lugares importantes em suas carreiras. Toda essa celebração está disponível no canal oficial da Biscoito Fino no YouTube.

O arrojado projeto aconteceu depois de uma separação de mais de sete anos, que valeu para que Kleiton estudasse por algum tempo em Paris e para que Kledir explorasse a carreira solo e o talento de cronista. Os dois voltaram dispostos a mostrar que o sucesso perdura, 40 anos depois.

O show “Kleiton & Kledir Ao Vivo” traz o espetáculo gravado no Salão de Atos da PUCRS, em Porto Alegre. O set list reúne sucessos como “Tô que tô”, “Paixão”, “Deu pra Ti”, “Vira Virou” e “Corpo e alma” entre outras. O irmão Vitor Ramil participa nas canções ‘Estrela Estrela’ ( que ele gravou com Ney Matogrosso) e ‘Vento Negro’, de sua autoria. Kleiton, além de cantar, toca violões aço e nylon e violino,

Kledir voz e violão. A banda é formada por Adal Fonseca na bateria, André Gomes toca baixo e guitarra sitar, Dudu Trentin nos teclados e piano Fender Rhodes, Luciano Granja na guitarra e guitarra de 12 e violão de aço. Os arranjos de “Canção da Meia Noite” e “Vira Virou”são de Caio Marcio.

O Portal MaisPB conversou com a dupla. Confira a entrevista exclusiva.

Kleiton

MaisPB – Qual é a sensação de chegar aos 40 anos de carreira, com um sucesso total e canções tão lindas que ainda tocam no rádio?

Kleiton – A primeira sensação é que o tempo passou rápido. Já passamos por tantos momentos maravilhosos em nossa carreira, somos privilegiados com tanto sucesso alcançado, mas parece que estamos apenas começando…

Foto: Rodrigo Lopes

MaisPB – Como seria a programação para festejar essa maravilha que vem do berço, duas vozes, tanto carisma?

Kleiton – Esse ano temos muitas comemorações. Tudo adiado pela pandemia. Conseguimos no início do ano fazer um show com orquestra e depois foi tudo cancelado. Agora temos shows programados com a OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre), o show Kleiton&Kledir 40 anos, com apanhado geral de tudo o que fizemos em disco e nos palcos, Biografia da dupla escrita por Emílio Pacheco, shows com o Nenhum de Nós (várias cidades), shows com o Expresso Rural (várias cidades) e muito mais. Tudo transferido para depois arrefecer a pandemia.

MaisPB – Como foi a temporada de estudos em Paris?

Kleiton – Aprendi muito em Paris, não só na música, mas também como experiência de vida. A dupla estava separada na época e aproveitei para estudar, começando um mestrado de música na Universidade Paris VIII, do núcleo da Sorbonne. Nessa cidade respira-se arte 24 horas por dia. Recomendo a todos que tiverem oportunidade.

MaisPB – O disco ao vivo é arrepiante, a gente tem a sensação de estar na plateia. Vamos falar das 17 canções, um resumo que é um autorretrato da carreira de vocês?

Kleiton – O mérito do vídeo genial é do Rene Goya, que dirigiu esse trabalho, do Paul Ralphes que foi diretor artístico, dos músicos maravilhosos que nos acompanharam e como era o primeiro DVD de K&K, o conteúdo é repleto de hits, o que tornou o espetáculo envolvente e muito emocionante.

MaisPB –Seu irmão, Vitor Ramil participa desse show. Foi muito bom chamar ele para o ao vivo, com as canções “Estrela, Estrela e Vento Negro”?

Kleiton – O Vitor é um artista admirável. É para mim um símbolo do que há de melhor na música brasileira. É um privilégio ter um irmão assim e ele estar no Kleiton&Kledir Ao Vivo, convidado especial, cantando conosco “Estrela, Estrela”, uma obra prima, e “Vento Negro, música símbolo da cultura do sul do Brasil.

Kledir

Foto Rodrigo Lopes

MaisPB – E ai, como é festejar 40 anos ao lado do mano Kleiton, companheiro de palcos, de irmandade e sucessos?

Kledir – Fico feliz de completar esse ciclo de tantos anos produzindo muito e ainda cheio de ideias e planos. Na verdade, Kleiton e eu estamos juntos a vida inteira, aprendendo um com o outro, dividindo sonhos e realizando muita coisa boa.

MaisPB -O disco foi gravado em 2005, agora chega as plataformas digitais. Como você analisa esse processo das plataformas que chega bem rápido aos ouvidos dos fãs?

Kledir – Nós somos do tempo do vinil, do LP, e da fita cassete. Temos uma boa capacidade de irmos nos adaptando aos novos tempos e tecnologias, talvez pelo fato de sermos os dois formados em engenharia. Passamos pelo CD (estamos lá no 1º CD lançado no Brasil), pelo DVD, criamos um dos primeiros sites de artistas no Brasil… e hoje estamos em todas as plataformas de streaming. Gosto da ideia de música na nuvem, afinal o que fazemos não é o suporte físico.

MaisPB – Diversas canções de vocês também chegaram ao público na voz de outros artistas famosos. Vamos falar sobre isso?

Kledir – É uma enorme alegria, uma realização sermos reconhecidos não só como intérpretes, mas também como compositores. Especialmente se olharmos a lista de cantoras e cantores que gravaram nossas músicas: Simone, Adriana Calcanhotto, Nara Leão, Mercedes Sosa, MPB4, Xuxa, Claudia Leitte, Ana Carolina, Fafá de Belém, Fábio Jr, Nenhum de Nós, Zizi Possi, Ivan Lins e tantos outros.

MaisPB – Como e quando foi feita a canção “Eu tô que tô”, que Simone interpreta com tamanha sensualidade?

Kledir “Tô que Tô” foi feita em 1982. A gravação da Simone virou abertura de novela na Rede Globo e se transformou em um grande sucesso nacional. Partiu de uma levada latina, talvez daí tenha vindo a sensualidade da letra. A gravação da Simone feita com os melhores músicos de estúdio de Los Angeles é uma maravilha.

MaisPB – Voltemos ao começo. Como surgiu K&K?

Kledir – Kleiton e eu estamos cantando juntos desde crianças e, apesar de ser óbvio, nunca tínhamos pensado em fazer uma dupla. Quando fomos apresentar Maria Fumaça no Festival da Tupi, em novembro de 1979, é que surgiu a necessidade de cantarmos os dois e dar um nome pra dupla.

MaisPB – Kledir na carreira solo, também escreve. Como tem sido a ampliação desse talento?

Kledir – Tenho escrito letra de música durante minha vida inteira. Meu amor pelas palavras vem daí, desse exercício cotidiano. Quando comecei a escrever prosa, me deu uma sensação de liberdade, de poder me expressar sem as regras rigorosas da canção: métrica, rima e prosódia.

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