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Administrador, pós-graduado em Planejamento Operativo. Ocupou por três mandatos o cargo de presidente do CRA-PB e de diretor do Conselho Federal de Administração. Diretor Institucional do SINTUR-JP de 1993 a 2016. Consultor em Administração e atual presidente da Academia Paraibana de Ciência da Administração. E-mail: admmariotourinho@gmail.com

“Queremos trabalhar: somos 3.000 famílias”

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publicado em 17/06/2020 às 09h01
atualizado em 17/06/2020 às 08h39
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O título acima corresponde a um trecho de uma das faixas exibidas por  dezenas de trabalhadores do transporte coletivo urbano da Grande João Pessoa em ato realizado na manhã do dia 15, no centro da capital paraibana. No todo, a faixa expressava: “Sr. Prefeito: queremos trabalhar. Com prevenção, todos podemos trabalhar. Somos 3.000 famílias!”.

Este tempo de pandemia, no Brasil, desde a respectiva declaração de calamidade pública, ficou com um vazio quanto a uma coordenação nacional. Enquanto país de regime   democrático, fomos incapazes de efetivar as articulações Politicas (assim, com “P” maiúsculo) para consensuar – entre as três esferas de governo e também entre os Poderes – as ações adequadas que, se com elas já não tivéssemos superado essa pandemia, certamente já estaríamos em fase bem avançada na flexibilização das atividades econômicas. Mas, como faltou esse consenso (mais que isto, faltou responsabilidade politico-governamental), o espaço e este tempo, no país, ficaram minados de brigas jurídicas e políticas (com “p” minúsculo).

Decorrente disto, governadores e prefeitos, isoladamente, viram-se na obrigação de adotarem as medidas por cada um consideradas como as mais apropriadas para o distanciamento ou isolamento social e paralisação das atividades produtivas em geral, excetuadas tão só as ditas essenciais. Entretanto, tais medidas foram decretadas com as promessas de que “brevemente” as atividades seriam flexibilizadas, sobretudo as econômicas, porque, sem estas, o desemprego, a fome, as contas a pagar etc também podem causar outras doenças e óbitos. Praticamente três meses já se passaram e a tal flexibilização também praticamente nem se iniciou!

Não se pode desconhecer sobre a “batata quente” que tanto os governadores quanto os prefeitos, especialmente estes, têm nas mãos. A questão é mesmo complexa, portanto, não são fáceis as decisões a tomar pelas repercussões que podem ter para um lado ou outro: se se fixa só na contenção da pandemia, a economia desmonta-se causando desempregos, mais fome e falências, como as tantas e tantas já registradas. Se flexibiliza amplamente, arrisca um novo surto da covid-19. O bom senso aponta, pois, para o meio termo. Daí, aqueles trabalhadores do transporte coletivo da Grande João Pessoa, em nome de 3.000 famílias, mais pediram – menos protestaram – ao prefeito pessoense para iniciar a flexibilização do transporte coletivo urbano, já começado pelo governo estadual com tal providência em relação ao transporte intermunicipal.

Foi uma forma de dizer: “Pense nisso, Prefeito!”. Os trabalhadores do transporte coletivo temem a covid-19… e também o desemprego.

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