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Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela Uninassau. Tem formação técnica em Rádio e TV pela FUNETEC, com atuação em veículos da Paraíba. Atua como colaborador em site de notícias nacional e também presta serviços de assessoria de comunicação.

Os movimentos das “placas tectônicas” na política paraibana

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publicado em 08/12/2019 às 17h32

Os últimos acontecimentos políticos na Paraíba, levaram-me a buscar as conhecidas figuras de linguagem. Nada melhor do que comparar com o movimento natural das placas tectônicas, que costuma variar entre pequenos abalos ou tremores maiores, seguidos de movimentos telúricos secundários.

As cartas trocadas entre Ricardo e João, eram esperadas por nós observadores. Por mais democracia e menos ditadura, o governador João Azevêdo (sem partido) deixou o PSB. São palavras dele, após duras críticas do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), numa emissora de TV da capital. O socialista parecia estar solitário numa arena

Nasce, portanto, uma nova liderança na Paraíba. Até então o atual governador vivia à sombra do seu padrinho político de temperamento colérico. João não é mais ofuscado por Ricardo.

Os próximos movimentos serão decisivos. Há quem diga que João buscará solo firme numa centro-esquerda moderada, sem hostilidade com o Governo Bolsonaro. Seria a postura mais acertada, sobretudo quando olhamos o quadro econômico da Paraíba à médio prazo. Inclusive, vale lembrar, João e Bolsonaro tem algo em comum: ambos estão sem partido. O presidente da República, contudo, já anunciou a criação do seu Aliança pelo Brasil.

A correlação de forças começa a mudar na Paraíba e outro fator chave são as eleições de 2020. Os números da última pesquisa apontam algo natural: Ricardo Coutinho e Cícero Lucena nas primeiras posições. Ambos governaram a capital e estão vivos na memória do eleitorado.

No cenário de desgaste da classe política tradicional, Nilvan Ferreira desponta com números animadores. O comunicador tem forte apelo nas camadas mais populares. Estaria ele no piso ou no teto? Penso que enfrentaria resistências de outros setores no decorrer da campanha. Por algum motivo acho que ele poderia ser vítima de um “efeito Romário”, lembrando a disputa do senador pelo Palácio Guanabara no ano passado. Experiência na gestão é algo muito caro para a população. Nilvan seria um vice-prefeito de luxo para qualquer chapa, ou o vereador mais votado em eventual disputa. Tem perspectivas auspíciosas.

No campo da centro-direita, temos nomes com potencial de crescimento. Walber Virgolino teve embates diretos com o ex-governador Ricardo Coutinho. Isso alçou o deputado estadual no debate da sucessão. É um nome na carta bolsonarista, que tem o deputado estadual Cabo Gilberto também posicionado. Efraim Filho apareceu com números animadores e em entrevista ao jornalista Heron Cid, disse que é um bom começo e aposta nos indecisos. O deputado federal, atual coordenador da bancada em Brasília, tem combustível para a pré-campanha, somando ainda no próprio DEM, outro nome que pontuou na pesquisa, o ex-deputado Raoni Mendes, que vale lembrar, já foi o vereador mais votado na cidade de João Pessoa em um passado não tão distante.

Não podemos esquecer do prefeito Luciano Cartaxo (PV), peça importante na sucessão municipal. Bem avaliado e com muitas obras e ações para entregar até o final do mandato, será um cabo eleitoral importantíssimo. Deu sinais claros de que o seu candidato sairá da equipe de auxiliares na prefeitura. Podemos destacar o nome de Diego Tavares, suplente de senador e secretário de Desenvolvimento Social, que tem percorrido todos os recantos da cidade, e demonstra muita disposição na defesa da gestão. Quem acompanha as redes sociais dele, pode constatar o ritmo de maratona. Porém, dentro do arco de alianças do prefeito, há o PSDB do deputado Ruy Carneiro, que foi candidato em 2004 e pode entrar na disputa, caso Cícero queira ficar fora do páreo.

Na virada de ano o novo panorama surgirá. Com a definição do novo partido de João Azevêdo e com os prazos do calendário eleitoral, o céu ficará menos nublado. Em terra firme e sem terremotos, esperemos as futuras alianças. Ainda é cedo, mas parece que teremos muitos candidatos na capital. As forças tendem ao realinhamento no segundo turno cada vez mais certo, relembrando o desenho da primeira vitória de Luciano Cartaxo para prefeito. Ele começou atrás nas pesquisas no primeiro turno, mas foi para o segundo turno catapultado pela baixa rejeição que tinha e manteve na reeleição. Vale recordar o apoio do então prefeito Luciano Agra na primeira eleição do atual chefe do executivo municipal. Tinha até o famoso slogan: “Luciano vota em Luciano”. Não podemos olvidar que em tempos de polarização, ser menos rechaçado pode ser o segredo do sucesso.

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