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VIOLÊNCIA

Especialista analisa crescimento dos casos de feminicídio na PB

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publicado em 24/04/2019 às 13h04

Os homicídios de mulheres motivados pelo ódio, misoginia e violência doméstica vêm assustando o Brasil e ganhando cada vez mais notoriedade na mídia. Denominados feminicídios, estes crimes tiveram um significativo aumento no número de casos e de denúncias. Na Paraíba, ao menos quatro casos chocaram o Estado na última semana, levantando novamente o debate sobre a razão do aumento dos crimes e de como as mulheres podem se prevenir e agir em casos de violência doméstica ou ameaças.

Para a professora de direito penal da Unifacisa, Sabrinna Cavalcanti, há dois pontos a serem notados no aumento dos casos de feminicídio: a tipificação “femincídio”, adotada em 2015 para diferir os tipos de homicídios praticados contra mulheres, e a volta de ideais conservadores e machistas, que oprime o sexo feminino de buscar igualdade de direitos na sociedade.

“Um dos fatores é o próprio conceito de feminicídio, pois muitas mortes causadas por violência doméstica não chegavam à estatística. Mas também destaco a volta do discurso conservador, que busca fazer com que a mulher se mantenha restrita ao ambiente doméstico. Isso vai contra a evolução que ocorreu na luta pelo direito das mulheres. Esse conflito, muitas vezes, acaba em morte”, explica Sabrinna.

A professora orienta as vítimas a não temerem a busca por ajuda nas delegacias caso sofram algum tipo de violência. “A agressão é precedida por xingamento, humilhação e violência psicológica. As mulheres, caso percebam que são vítimas, devem se resguardar, ir à Justiça e buscar seus direitos”, diz.

Além disso, Sabrinna destaca a importância de um trabalho de prevenção com crianças e adolescentes nas escolas. “Para que meninos e meninas entendam que ser homem de verdade é não maltratar e nem desprezar as mulheres. E para as garotas se tornarem mulheres com a autoestima preservada e sabendo que são capazes de tudo, com deveres e direitos iguais a todos”, completa a professora.

A Paraíba já registra, somente em 2019, mais de mil inquéritos instaurados nas delegacias da mulher do Estado. A estatística representa, aproximadamente, 11 mulheres vítimas de violência por dia. No País, os casos vêm aumentando: em 2018, foram 1.173 casos de feminicídio, frente a 1.047 em 2017. A cada 15 segundos, duas mulheres são agredidas fisicamente no Brasil. O País está em quinto lugar entre os que mais praticam violência contra mulher em todo o mundo, segundo dados divulgados no 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, realizado no ano passado.

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