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Golpe Militar

‘Não há possibilidade de ditadura voltar’, diz ministro

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publicado em 04/04/2018 às 19h35
atualizado em 04/04/2018 às 19h36
Jungmann com o general Braga Netto, interventor federal na segurança do Rio, em evento nesta quarta-feira Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, descartou, na tarde desta quarta-feira, a chance de um novo golpe militar no país. Segundo ele, as declarações do general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, postadas na última terça-feira em uma rede social, “representam a defesa da institucionalidade e da Constituição”. Antes de assumir o atual cargo, Jungmann comandou o Ministério da Defesa – ao qual estão subordinadas as Forças Armadas – entre maio de 2016 e fevereiro deste ano.

As declarações foram dadas no Rio de Janeiro, durante evento com a participação do general Walter Souza Braga Netto, interventor federal na segurança pública do Rio. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de militares tomarem o poder e instituirem uma nova ditadura caso o Supremo Tribunal Federal (STF) conceda, na tarde desta quarta-feira, habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jungmann tratou de descartar essa possibilidade.

De zero a dez, a chance (de a ditadura voltar) é menos um. Não há a menor possibilidade. As Forças Armadas são um ativo democrático no Brasil hoje. O comportamento das Forças Armadas tem sido impecável em termos de institucionalidade e constitucionalização. Digo isso na qualidade de quem foi ministro da Defesa por praticamente dois anos e conviveu com todos os militares – afirmou o ministro.

Jungmann saiu em defesa de Villas Bôas, centro de uma polêmica após afirmar, na noite desta terça-feira, “que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição”. Para o ministro da Segurança Pública, a declaração foi em defesa das instituições democráticas.

– As palavras do general Villas Bôas representam a defesa da institucionalidade da Constituição e a noção de que a regra do jogo tem que ser aceita e cumprida. Quando ele lembrou que o Exército brasileiro está atento ao seu papel institucional, o papel institucional das Forças Armadas está definido na constituição. O ponto de vista dele é de serenidade. De que este momento que o país vive a gente há de passar, de acordo com a constituição e a legalidade – avaliou.

‘COMANDANTE TEM O RESPALDO PARA FALAR’

Jungmann ainda defendeu a prerrogativa de Eduardo Villas Bôas dar declarações públicas sobre questões políticas em nome do Exército. O ministro crê que “é correto e é bom ele falar” em nome da serenidade.

– Acho que o comandante tem o respaldo para falar em termos da força. E, se ele fala em nome da serenidade e do respeito às regras, eu acho que é correto e é bom ele falar. Para que esse clima de polarização e radicalização que, evidentemente, preocupa todos nós, possa ser resolvido institucionalmente. Fora da Constituição e do jogo democrático não há caminho no Brasil. Nenhuma força política, à exceção daquelas que são absolutamente minoritárias, propõe o retorno ao passado. Ninguém quer isso e isso não tem o menor curso no Brasil, eu posso garantir – concluiu.

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