João Pessoa, 31 de maio de 2026 | --° / --° | USD · EUR


As palavras de Walter Galvão, ´O Som diz Sim´ de Herbert Vianna, chegam a duas décadas. O livro fininho completo, onde o autor fala da ´Canção do Encontro´, o sim diz que sim e anos depois o cineasta Kleber Mendonça criou o ´Som ao Redor´, um filme abundantemente sonoro que eleva o som de uma variação estupenda.
Palavras de Walter Galvão são capazes de suprir contra os alados e às tempestades centrais de um Brasil, que na palma da mão, um pinhão, que não consegue ser sozinho, sem o sim da música de Herbert Viana e outras que brilham na pele de uma brasileira luz, raios de sol, você é linda, mais que demais.
Não necessaariamente nessa ordem, porque a novidade é a palavra de Galvão, que veio dar a praia e se expande pela música de Gilberto Gil.
Qualquer reflexo ou eco do mundo vem da música: “o som diz sim à trama das esferas das significações”, como se Galvão e Vianna ultrapassassem o coletivo. Sim, eles conseguem porque as palavras transam e dançam, no que quer dizer do som solene e ou simplesmente silêncio.
Eu estava ali pensando, deixando um gosto longe do vazio de si mesmo, a canção de Herbert Viana que traz o Vital em sua moto, mais que uma união, principalmente das últimas vezes em que vi o jornalista WG passar em sua moto endiabrada para além das profecias criativas da arte popular brasileira. A moto entra ai só como cenário.
Nas paredes de tempos perdidos e não buscaremos refúgios destruídos, relógios de pulso, porque quando ainda se lembra, se lê a magia das frases de Walter Galvão, é sempre ele, o melhor do som que aprendi.
Deixamos este elo viver, sobreviver épocas, entregues à ressaca das ondas que ondas, que ondas, que andas e vamos seguindo acordando cedo.
O livro de Walter Galvão cosendo as noites para aquelas canções, que não nos faça adormecer sem a colheita do alimento, o quinato mais veloz, melhor, tudo por causa do tempo.
As palavras de Walter Galvão soam o “sanfonar dos diagramas. A fala surgiu, a fala é o som, rapá ô cantares, ô varei” e nunca esquecer estribilhos.
Donas de cabeças detalhadas, frescor nunca rude, absurdos, onde ficam as marcas de toda a ausência que podemos suportar, do som do sim, do som do jaz
Também pelo prazer de nos sentirmos o dançar das palavras, alagados central, favelas, rocinhas e marés, até a maré encher, quando a maré encher, na voz longínqua de Cássia Eller.
Longínquos, todos nós, perto de uma canção, avistados uns pelos outros, o som das palavras de Walter Galvão se misturam nas janelas da cidade, mas tão certamente em meio as metamorfoses e chegam até a poesia de Herbert Viana.
Galvão fala do herói no útero da mãe pós cibernética e isso ainda vai acontecer, já aconteceu, está acontecendo.
A mitologia conteporrânea vem da literatura de Walter Galvão.
Do tempo do som do Gonzaga, e passa pela escola do oficio, a voz e à vida Walter e Herbert numa forma tática argumentista e celebrativa, que nós agora nos alegramos – e a musica pode ser tudo. A música é.
Lá está Galvão com seu olhar vestido desfeito por mãos apressadas, na despida da canção de Herbert Viana, de sentir e apreciar o afeto que trocamos quando somos anjos e demônios anunciados.
E eu não digo mais nada.
Kapetadas
1 – “O pior já passou” é uma conclusão sem fundamento. Se o pior já tivesse passado, a gente não estaria aqui.
2 – Os impontuais sempre põem a culpa no relógio. É o seu mecanismo de defesa.
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OPINIÃO - 02/06/2026





