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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Na cegueira das horas

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publicado em 26/05/2026 ás 07h00
atualizado em 26/05/2026 ás 12h38

No mapa das minhas veias, há oitenta e seis mil e quatrocentos segundos a cada dia, e a cada segundo nascem e morrem sonhos.

A cada segundo também se concebe alguém, um amor já foi concebido há dez segundos, um minuto, um dia, uma semana, um mês –  e vem o ultimato:  eu te mato e me mato de saudades.

Passamos anos sem ver alguém, um amigo querido, mas a amizade continua. Sem cobranças.

O capricho dos circuitos, o sol lá fora até que escutamos – já passa da hora, da canção de Chico Buarque.

Alguns momentos parecem impossíveis de fazer o que sempre se fazia, se dizia, “beijos, eu te amo”, quando a semana nem começou, o mês já acabou.

Um jardim, por exemplo. O excesso das raízes asfixiadas me entristece, como remédios e venenos.

Meu pai devorava os livros e dizia pra eu não buscar a raiva, quando eu estava na cegueira das horas.

Somos nós por exemplo, nós que reclamamos de tudo, do calor, do frio, do sal, do ensosso e já nasceu outro amor há um minuto, um dia, uma semana, um mês,  um ano, décadas, para reclamar e depois morrer

Vamos dizer que a cada instante, considerando o segundo sinônimo de instante, a cada instante é possível ter o retrato de uma vida: nascer, crescer, morrer, abraçar, comer, transpirar, gozar, beber, maldizer, espirrar e rir, que ainda é o melhor remédio.

Concentrado de uma vida toda, às vezes, e muitas, vida mínima, cada um de nós não sabemos que participamos de uma cena retratada naquele instante, um flash, um sinal, uma raiva, sem tristeza, no desejo, no desanimo, na paixão, ao dobrar uma esquina

A cada momento, tantos, sendo instantes, feito um fósforo que se acende e logo se apaga e muitos sequer terão lido Augusto dos Anjos.

O que aconteceu com as samambaias que não estão mais ali?

Kapetadas

1 – Ansiedade é quando o futuro foi ontem e o passado será amanhã.

2 – O problema não é perder a Copa. É descobrir que a gente acreditou de novo.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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