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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Um texto besta

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publicado em 23/05/2026 ás 07h00
atualizado em 22/05/2026 ás 22h54

Como eu ia dizendo, depois de um tempo, a gente aprende a conviver com as bobagens e idiossincrasias dos outros. Mas coisa Jeca é sapato apertando.

Quando eu era menino, tinha que cantar o hino nacional na escola. E todo ano a professora dizia que eu cantava errado e explicava que era “braço forte” e não “braços fortes”, que era “sonho intenso” na primeira parte e “amor eterno” na segunda (porque, dizia ela, primeiro a gente sonha e depois a gente ama).

Era uma chateação, todo mundo cantava desanimado e as explicações não adiantavam nada: saía “braços fortes” mesmo, “amonho interno”, um horror.

Adultos irritaram. Me irritam hoje, me irritavam muito mais quando eu era criança, e infinitamente na adolescência. Vinham sempre com os papos de como-você-cresceu, te-carreguei-no-colo, te-dei-banho, e eu pensava – que onda.  Queriam o quê? Que eu fosse o K anão e não crescesse nunca?

Que eu tivesse tomado banho sozinho quando bebê? Que eu tivesse carregado eles no colo? A impressão que eu tinha era de que os adultos todos tinham esquecido de como era ser adolescente, pré-adolescente, criança.

Devia ter um ponto na vida, eu pensava, em que caía um disjuntor dentro da cabeça e todas as memórias antes da vida adulta se apagavam. E aí eles ficavam chatos, conversavam coisas chatas entre eles, e coisas muito mais chatas comigo (quando conseguiam me ver, porque eu fazia questão de me esconder deles, os chatos).

Prometia a mim mesmo que quando eu crescesse isso não aconteceria. Que eu lembraria de como era ter 5, 8, 12, 16 anos, e falaria com as pessoas dessas idades sempre com isso em mente.

Lembro dos calombos e sua formação curiosa. Se coberto por um edredon, dá a impressão de que tem uma pessoa miudinha dormindo ali embaixo. Tanto que quem dorme ao seu lado mais cedo ou mais tarde o abraça.

Texto besta, esse que eu escrevi.

Kapetadas

1 – O problema de quem só quer por perto quem concorda com tudo é que nunca vai detectar quem faz isso por interesse.

2 – A vitalidade só tem um defeito: não é vitalícia.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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