João Pessoa, 23 de maio de 2026 | --° / --° | USD · EUR


Como eu ia dizendo, depois de um tempo, a gente aprende a conviver com as bobagens e idiossincrasias dos outros. Mas coisa Jeca é sapato apertando.
Quando eu era menino, tinha que cantar o hino nacional na escola. E todo ano a professora dizia que eu cantava errado e explicava que era “braço forte” e não “braços fortes”, que era “sonho intenso” na primeira parte e “amor eterno” na segunda (porque, dizia ela, primeiro a gente sonha e depois a gente ama).
Era uma chateação, todo mundo cantava desanimado e as explicações não adiantavam nada: saía “braços fortes” mesmo, “amonho interno”, um horror.
Adultos irritaram. Me irritam hoje, me irritavam muito mais quando eu era criança, e infinitamente na adolescência. Vinham sempre com os papos de como-você-cresceu, te-carreguei-no-colo, te-dei-banho, e eu pensava – que onda. Queriam o quê? Que eu fosse o K anão e não crescesse nunca?
Que eu tivesse tomado banho sozinho quando bebê? Que eu tivesse carregado eles no colo? A impressão que eu tinha era de que os adultos todos tinham esquecido de como era ser adolescente, pré-adolescente, criança.
Devia ter um ponto na vida, eu pensava, em que caía um disjuntor dentro da cabeça e todas as memórias antes da vida adulta se apagavam. E aí eles ficavam chatos, conversavam coisas chatas entre eles, e coisas muito mais chatas comigo (quando conseguiam me ver, porque eu fazia questão de me esconder deles, os chatos).
Prometia a mim mesmo que quando eu crescesse isso não aconteceria. Que eu lembraria de como era ter 5, 8, 12, 16 anos, e falaria com as pessoas dessas idades sempre com isso em mente.
Lembro dos calombos e sua formação curiosa. Se coberto por um edredon, dá a impressão de que tem uma pessoa miudinha dormindo ali embaixo. Tanto que quem dorme ao seu lado mais cedo ou mais tarde o abraça.
Texto besta, esse que eu escrevi.
Kapetadas
1 – O problema de quem só quer por perto quem concorda com tudo é que nunca vai detectar quem faz isso por interesse.
2 – A vitalidade só tem um defeito: não é vitalícia.
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OPINIÃO - 02/06/2026





