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CRM culpa políticos por número de interdições na PB

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publicado em 14/05/2019 às 13h31
atualizado em 14/05/2019 às 17h26
João Alberto, fiscalizador do CRM-PB (Foto: divulgação)

A interdição ética a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro de Cruz das Armas, em João Pessoa, nessa segunda-feira (13), foi a sétima ação mais enérgica do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), no estado, em 2019. Postos de saúde, hospitais e maternidade foram interditados parcialmente desde a precariedade nas estruturas dos locais a falta de segurança para os profissionais de saúde trabalharem.

Em cinco meses, o CRM fiscalizou 78 unidades de saúde, quando ocorreram sete interdições:

  • Centro de Saúde de Mandacaru (João Pessoa)
  • Unidade Básica de Saúde III (Condado)
  • Posto de Saúde da Família Oiteiro II (Alhandra)
  • Bloco cirúrgico do Ortotrauma de Mangabeira (João Pessoa)
  • Hospital Maria Lídia Gomes (Cubati)
  • UTI Neonatal da maternidade Peregrino Filho (Patos)
  • UPA de Cruz das Armas (João Pessoa)

Todas já foram desinterditadas, incluindo a UPA de Cruz de Armas, que recebeu guardas municipais nesta terça-feira (14). A interdição aconteceu por falta de segurança no local. Os médicos relataram que sofrem constantemente com agressões verbais e físicas. A UPA ainda corre risco de voltar a ser interditada caso não regularize a escala médica até o próximo dia 25.

João Alberto Pessoa, que faz parte da direção de Fiscalização do CRM-PB há mais de vinte anos, revelou que nunca antes recebeu tanta demanda como nos últimos meses. “A situação da Saúde na capital e no estado é preocupante. Temos hoje em dia uma comissão de saúde ofertada ao público que nos deixa apreensivos. Por isso essa quantidade exagerada de ações, inclusive, com interdições. Estou no Conselho há muitos anos, mas recentemente nunca vi tanta demanda como estamos recebendo”, disse à reportagem do Portal MaisPB.

Em fevereiro, o Trauminha, em Mangabeira, foi interditado por problemas como buracos no teto, infiltrações, ferrugem, piso sem conservação e mofo. Em abril, a UTI Neonatal da maternidade Peregrino Filho, em Patos, no Sertão, foi interditada por falta de materiais básicos para o internamento de crianças, além de não ter apresentado, naquele momento, condições de prestar atendimento adequado.

“O que a gente mais presencia é uma coisa derrubando a outra. Se o PSF funciona mal, a UPA funcionará mal e o hospital também. Um depende do outro, com a sequência de atendimentos. E o que a gente vê especificamente aqui na Capital é uma superlotação em pediatrias, filas enormes para realização de cirurgias de vesículas e uma quantidade enorme de pacientes precisando de tratamento quimioterápico sem ter. E até pessoas que estão morrendo, porque não tem a devida assistência. É uma situação muito complicada”, avaliou João Alberto.

Culpados 

Para João Alberto, a culpa é da classe política. Ele reconhece que entre outros problemas, a falta de diálogo institucional entre grupos que divergem politicamente, reflete no serviço oferecido.

“São eles (políticos) quem mandam na Saúde pública. É o grande problema. Mas dizem “Ah, isso está ocorrendo no Brasil todo”. Mas eu não posso me orientar pelo Brasil todo. Tenho que me orientar pela Paraíba. A Paraíba está em uma situação muito deficitária na Saúde pública. Precisa melhorar e muito”.

Maurílio Júnior – MaisPB

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