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Paraíba

João Pessoa, 01/08/2011 - 00h16

Luiz Renato Pontes

A cidade que nasci

Professor e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba - professorluizrenato@gmail.com

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Apesar de achar que nascer em uma determinada cidade é apenas uma entre tantas outras casualidades que a vida nos impõe, não podemos deixar de admitir que a cidade onde nascemos nos marca profundamente para o resto de nossas vidas.

Eu poderia ter nascido em diferentes localidades: na cidade de Juarez Távora, antiga Água Doce, terra natal de meu pai professor Luiz Mendes Pontes ou na cidade de Sapé, terra de minha mãe, comerciante Maria do Socorro de Araújo Pontes, em Campina Grande, cidade para onde me desloquei aos 17 anos de idade para fazer meu curso de engenharia ou mesmo em Nancy, na França, onde realizei meu curso de doutorado. Todas essas cidades têm uma importância especial para mim, seja pela relação familiar, seja pela contribuição na minha formação educacional, intelectual, científica, humanística e pelas grandes amizades que ali constituí.

Entretanto, fisicamente temos que nascer em algum lugar e o destino fez com que eu nascesse na cidade de João Pessoa. A nossa querida João Pessoa entre tantas qualidades podemos citar uma das mais importantes: a sua capacidade de acolher a todos aqueles que vêm de outras localidades, seja do nosso Estado ou não.

Todos os paraibanos que aqui nascem têm origem familiar nos diferentes recantos de nosso Estado. Esta característica faz dessa cidade um grande ambiente de integração e harmonia, uma cidade sem preconceitos e discriminação tão presentes nessa época, lamentavelmente, nas grandes cidades brasileiras. Foi nessa cidade que cresci e aprendi a gostar. Acompanhando com o tempo a sua evolução e o seu desenvolvimento econômico e social. Ela deixou pouco a pouco de ser uma cidade provinciana para se tornar uma grande cidade com todos os problemas que o crescimento acarreta.

É com saudade que me lembro do tempo onde todos nós - crianças e adolescentes - podíamos jogar bola na rua de casa ou no campinho do terreno da esquina, que nós mesmos limpávamos. Como era bom encontrar toda a turma de colegas nas nossas casas ou na esquina da rua, até que chegava alguém dizendo que nossos pais estavam chamando e que era hora de dormir. Poder ir aos cinemas dos bairros assistir os filmes da semana e trocar revistas de quadrinhos.

Lembro-me ainda da praça da independência. Lugar bonito e próprio para passear, namorar, apreciar as árvores e plantas, que tornavam aquele ambiente de muita paz. Como era bom “pegar jacaré” no mar de nossas praias. Na época não se falava em surfar. Usufruíamos de todos os espaços com muita alegria. Esta semana, no dia 5 de agosto, nossa cidade comemora seu aniversário. A cidade cresceu e as pessoas já não se conhecem como antigamente, as crianças já não podem desfrutar da mesma liberdade que nós desfrutamos, mas algumas coisas ela continua preservando: a sua beleza e a capacidade de acolher a todos.

Parabéns! a cidade que nasci.  

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07/ago às 08h42 - 

Quintans (sebastiaoquintansgmail.com):

» Lula, so faltou falar da epoca boa da ETFPB. Abracos