João Pessoa, 19 de Junho de 2013
Paraíba
João Pessoa, 13/03/2011 - 08h45

Como se não bastassem as dificuldades naturais que qualquer Governo que herda um Estado nas atuais circunstâncias da Paraíba, o de Ricardo Coutinho depara com empecilhos a mais, na medida em que se propõe a imprimir um novo conceito de administrar da coisa pública.
Qualquer projeto nessa direção necessariamente implica em mudança de hábitos políticos, de gerenciamento e de mentalidade. Principalmente de mentalidade, o que não é nada fácil. Independente de haver começado bem ou mal, não há como negar que o governador Ricardo Coutinho tenta tocar um projeto de mudança que soa radical para os nossos padrões e que, se aplicado em sua plenitude, terá virado uma página na nossa história.
Mas é notório que o projeto de mudança do atual Governo tende a se diluir na medida em que se distancia da Capital, do centro do poder e, portanto, do núcleo das decisões. Fora desse contexto em que estão sediados os Poderes Públicos e instituições que compõem a parte da sociedade mais organizada, crítica e compreensiva com o processo de mudança, é muito difícil florescer o novo. Tudo esbarra na falta de educação, na ignorância e na indisposição de promover mudanças em nome do interesse coletivo.
Além disso, o governo tem dificuldade de imprimir sua própria marca na proporção em que precisa acomodar forças antagônicas (em dissonância com a proposta do novo Governo) que foram importantes para a eleição do atual governador e exigem suas cotas de participação no gerenciamento do Estado. E ai, principalmente ai, é onde a porca torce o rabo...
A situação incômoda para o governo se generaliza interior a fora. Para mim, um caso é emblemático. Na minha terra natal, Serraria, o mesmo governo tem duas faces absolutamente distintas: uma, da escolha pessoal do governador Ricardo Coutinho (ou do partido dele, o PSB), que se expressa no novo modo de administrar o Hospital Ovídio Duarte. Até então fechado, abandonado e criminosamente sucateado, 20 dias após a instalação do novo governo e da posse do novo diretor, o empresário Antônio Eduardo Rocha da Fonseca, o hospital já estava reaberto e funcionando satisfatoriamente. Atualmente, é um dos mais operantes da rede pública de saúde do interior da Paraíba. Muito mais, por exemplo, que o Hospital Regional de Guarabira que nem ambulância tem e cuja administração não consegue sair da inoperância, gerando severas críticas ao novo governo. Na caminhada que vai, o Hospital Ovídio Duarte logo será um modelo de gerenciamento hospitalar em pouco tempo, pelo menos para os padrões do interior.
A outra face do Governo Estadual, na mesma Serraria, é o modelo ultrapassado de gerenciamento adotado nos demais órgãos públicos do Estado, decorrente dos acordos políticos com segmentos que não assimilaram nem estão ai para a idéia de que o setor público tem que ser eficiente tanto quanto o privado na prestação dos seus serviços à população que lhe banca com elevadas taxas de impostos. Eles não entendem isso e encaram o poder público e o cargo que ocupam como meios de sobrevivência. Não conseguem mudar.
No interior, as dificuldades não param por ai: não falta, dentro dos próprios setores politicamente “aliados” do atual governo, quem tente boicotar o novo modelo proposto pelo governador Ricardo Coutinho. No Hospital Ovídio Duarte, em poucos dias de nova gestão, pequenos instrumentos hospitalares foram roubados, e só devolvidos (sorrateiramente postos nas lixeiras) depois que a Direção do Hospital ameaçou instalar inquérito administrativo e até policial, se necessário fosse, para desvendar o caso. Na semana passada, cortaram a mangueira do balão de oxigênio da ambulância do Hospital durante o trajeto que o veículo fez, transportando pacientes, entre Serraria e João Pessoa.
Criminalidade - O Ministério Público da Paraíba inicia, no próximo dia 19, o projeto “Bairro sem Medo”. Começa por Mandacaru, em João Pessoa, e visa contribuir para a redução da criminalidade na região. O passo inicial será a realização de uma audiência pública, às 16h, na Escola Violeta Formiga, para apresentação do projeto à comunidade. A audiência contará com a participação do promotor Marinho Mendes, coordenador do “Bairro sem Medo”, do procurador-geral, Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, e de entidades da sociedade civil organizada.
Promotor a mira - Dia desses, o promotor Marinho Mendes, um dos melhores paladinos do MPPB, escapou de uma fria: estava bem sentado à frente de sua granja e vestido que nem um operário, quando dele se aproximaram seis homens muito bem armados e mal encarados, e travou-se o seguinte diálogo:
- Cadê o promotor que mora aqui?!
- Olhe, seu minino, se “vós micê” tivesse aparecido cinco minutos antes teria pego o patrão aqui. Mas ele acabou de arribar pra essas bandas dali.
Até hoje os prováveis bandidos procuram o promotor.
Ninguém merece - Já que o poder público nem admite nem proíbe a circulação de transportes alternativos, pelo menos poderia proibir o uso de aparelhos sonoros no interior dos carros. Imagine o que é você andar 200 km ouvindo, sem querer, Garota Safada, Calcinha Preta, Kalango Assado e outras cositas do gênero. É uma tortura!!
Paz à força? - Dizem que o Governo proibiu o setor de Segurança Pública de divulgar notícias que denotem violência no Estado. A ordem é forjar um ambiente de paz total.
Coincidência, ou não, desde a greve dos policiais militares que a Paraíba parece estar num paraíso.
Aeroclube - Quem quiser que discorde, mas se eu fosse o prefeito Luciano Agra, de posse de uma liminar teria botado uns duzentos tratores e derrubado o Aeroclube de uma só vez. Aquilo só serve para “meia-duzia” de três ou quatro ricaços.
» Nunca se matou tanto na Paraíba!
» Até Wellington deve estar recebendo toco para falar bem do governo. Seja pelo menos mais discreto jornalista! A gente te acompanha no rádio e sabe que seu discurso é outro.
» Até o colunista parece que Aderiu???? O que é isso companheiro?
» O que significa caos na segurança pra vc? Mortes e assaltos diários? Vc tem algum documento que prove que nos últimos 10 anos não houve crimes diários na grande JP? Tú achas realmente q alguma capital nordestina não registra homicídios diariamente? Me diga a unidade da federação onde uma nova gestão em 2 meses levou a paz completa e absoluta a toda uma população. Meu nobre jornalista, seus cabelos brancos são testemunha de muita coisa nesse estado e seja franco, em segurança pública não há mágicas. Só pra vc entender, esse carnaval foi a maior chacina nas estradas federais. Alguém viu a grande imprensa pedir a cabeça da cúpula da Polícia Rodoviária Federal? Não né? Faça um favor a nossa sociedade: faça a estatística da segurança neste semestre. Se o resultado for ascendente serei o primeiro a gritar pelas mudanças ok?
» Caro jornalista, gosto muito de seus comentários, mas hoje me decepcionei com a postura desta coluna completamente equivocada e contraditória em suas próprias palavas (notei que ela saiu no lugar da coluna de Helder Moura - na qualidade de interino - por isso mesmo, parece que alguém pediu para vc escrever tudo isso). Cortaram a língua de Tesoura? Esse novo modelo relatado e exaltado por vc mesmo acima se contradiz com o final de sua última coluna, que transcrevo abaixo: Aos prantos - Assisti nesta sexta-feira na Rodoviária de Guarabira uma cena que chocou a todos ali presentes: uma senhora que há 25 anos foi pro-tempore na área da Educação do Estado, escabelava-se aos prantos depois de constatar que em sua conta não havia um centavo, sequer. Mais do que cortar na carne, triturou-se os ossos. É esse o novo modelo de crueldade administrativa que a Paraíba quer? Acho que este pequeno exemplo denota as características expúrias e nefastas do novo governo. Além disso, o que vc escreveu sobre o Aeroclube , deixando de lado a partidarização da questão, é um absurdo para alguém que exerce o papel de formador de opinião! Estou perplexo com o que fizeram com o outrora Língua de Tesoura!
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