João Pessoa, 24 de Maio de 2013
Paraíba
João Pessoa, 26/11/2010 - 22h10

Estava na rádio Correio FM apresentando o Balanço Geral quando o telefone toca. Do outro lado da linha, uma amiga e uma informação: "Salomão Gadelha morreu agora há pouco em um acidente".
Não dei muita importância e de súbido imaginei que fosse mais um dos boatos que facilmente são espalhados envolvendo pessoas conhecidas do público.
Ao terminar o programa, no camarim da TV Correio, antes do comentário político no Jornal da Correio, recebo nova ligação. Desta vez o número era conhecido. Minha mãe, dona Marizete, aos prantos, confirmava a notícia que instantes atrás eu preferi classificar como mentira.
No estúdio da TV, encontro meu amigo-irmão Ruy Dantas profundamente consternado. Ele já havia anunciado no ar a morte prematura do ex-prefeito de Sousa, Salomão Gadelha, com quem trabalhou durante 20 anos.
De imediato, passei a imaginar o drama dos filhos, já tão doidos e sofridos pela morte recente da mãe, Aline.
Mesmo quem acompanhou de perto a controvertidade e marcante trajetória do filho de Zé Gadelha não seria capaz de definir ao certo qual a qualidade que melhor definia Salomão: a criatividade, o espiríto empreendedor ou a coragem de enfrentar desafios.
Em dois mandatos na Prefeitura de Sousa, ele conseguiu escrever um capítulo na história política da Paraíba.
Foi o responsável pela primeira municipalização dos serviços de água e esgotos do Estado, um monopólio antigo da Cagepa.
Idealizou o Festival do Coco, evento já reconhecido em todo o país. Se tornou o grande entusiasta da exploração do petróleo na região de Sousa, quando o assunto não passava de "uma piada".
Polêmico e inquieto, chegou a ser chamado de louco por muitos que preferiam o comodismo. Abraçou causas a frente do seu tempo. Na arte da política e da oratória, foi sábio como o Rei Salomão, nome com o qual foi batizado pelo pai José e dona Míriam.
Foi um homem de vanguarda. Uma cabeça inteligente que conseguiu elevar a auto-estima de um povo.
Um sonhador que sonhou junto com sua gente e fez do sonho a realidade que transforma e se eterniza com o legado.
» Caro Heron, Estive em Sousa na ultima sexta feira, onde fui participar de um encontro de dirigentes sindicais de trabalhadores do comercio efiz questão de iir até o velório de Salomão onde pude ver uma multidão desolada, um sobrinho (Leonardo) à beira do caixão, bastante abatido. Mas, o que mais me impressionou foi o comentário de vários colegas daquela cidade. Comentários esses que davam conta da perda de um dos mais importantes edis que esteve a frente da cidade sorriso. Pessoas chorando, musicas tocando diante de um corpo extendido e uma faixa que dizia. Tuíta o doido 15333 (algo carinhoso nesse apelido? creio que sim). Tudo aquilo me fez ver, mais uma vez, o quanto a vida é preciosa e quanto as pessoas amam a vida. E no caso de Salomão pude perceber que mesmo não tendo sido eleito pelo povo de sua região nessa ultima eleição (motivos da própria política), ele representou um tempo de muitos avanços para aquela cidade. Falo pelo que ouvi do povo sousense.
Copyright © 2013 MaisPB. Todo o conteúdo deste site é de uso exclusivo do MaisPB e suas subdivisões.
Proibida reprodução ou utilização a qualquer título, sob as penas da lei.