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Paraíba

João Pessoa, 10/11/2010 - 21h39

Flávio Lúcio Vieira

Participação do PT no Governo de Ricardo

Analista político e professor do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba. Mantém no ar o blog pensamentomultiplo.blogspot.com com análises da política, cotidiano e economia. Tem 43 anos, nasceu em Patos, capital do sertão paraibano.

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Setores do PT, impulsionados pela eleição de Ricardo Coutinho, não esperaram nem o anúncio da vitória ricardista para começarem a defender a participação do partido no futuro governo do ex-prefeito de João Pessoa.

Qualquer cidadão de bom-senso que escute essa proposta, e não tenha acompanhado as disputas dentro e fora do PT durante os últimos dois anos, pode enxergá-la com naturalidade, afinal ele certamente não veria problema em ver membros do PT compondo um governo liderado por outro partido de esquerda, o PSB.

A não ser que fique sabendo, antes de emitir qualquer juízo de valor sobre a proposta, que o partido não apenas apoiou, mas compôs a chapa derrotada nas últimas eleições, e que a chapa vitoriosa ao governo foi formada por adversários nacionais do PT e da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Não apenas isso: que a campanha do "socialista" foi casada, especialmente no interior, com a do candidato do PSDB à presidência, José Serra, a tal ponto que as votações dos dois (Ricardo Coutinho – José Serra) serem quase idênticas no principal reduto tucano nessa eleição, Campina Grande, ao ponto do Diário de Pernambuco nomear a cidade como "A ilha tucana no interior do Nordeste" (clique aqui).

E é exatamente o tratamento de "ilha" que essa minoria do PT deu e quer continuar dando ao PT e à Paraíba. É como se o estado fosse um Brasil à parte e as alianças partidárias não significassem absolutamente nada por aqui.

É como se participar de uma campanha ao lado do DEM, o partido em vias de extinção no Brasil, e do PSDB, o partido da "nova direita", fosse um detalhe inexpressivo. Mais grave ainda é defender que o PT participe de um governo ao lado dessas forças, como se governar fosse algo tão "neutro", que não implicasse escolhas orientadas por objetivos com claras repercussões sociais. Lula que o diga.

Ora, é mais do que legítimo que PSDB e DEM reivindiquem seu quinhão no futuro governo, e um quinhão significativo. Afinal eles não apenas deram suporte à campanha ricardista interior à fora, como fornecerão os votos na Assembléia Legislativa para dar "governabilidade" ao futuro governo.

Seria um contra-senso imaginar que Ricardo Coutinho vai se eleger com a direita e governar com a esquerda, principalmente com uma esquerda sem expressão política e, mais ainda, eleitoral, e ainda mais dividida, como é o PT hoje.

Vejam o caso da nova CPMF. Enquanto os deputados petistas se escondem desse debate necessário, os representantes do DEM e do PSDB paraibanos já apontam suas bazucas para a proposta, querendo, claro, adiantar o tom de como será a batida do bumbo nos próximos 4 anos. (Na próxima postagem, tratarei de defender a criação de um tributo para ajudar a financiar a saúde pública).

Ou seja, essas contradições inelimináveis da política nacional se expressarão com força no interior do futuro governo de Ricardo Coutinho. Mas não só elas. O modo de governar estará em jogo, especialmente se Ricardo quiser levar à frente e dar sentido à idéia "republicana" tão propalada pelo candidato do PSB durante a campanha. Enfim, nós veremos na prática se republicanismo e cassismo combinam.

Por fim, cabe um último registro. Se for formada uma maioria no interior do diretório regional do PT a favor da participação no governo, teremos demonstrada a verdadeira "vocação" do PT paraibano: o governismo, a oportunismo, a corrida por cargos independente do bloco político a que o partido pertença.

Seria a negação não apenas de um projeto partidário, mas de um projeto de poder. A maioria do PT seria reduzida e desmoralizada como um agrupamento que flutua ao sabor das circunstâncias e deixaria finalmente claro que a opção pelo apoio ao governo de Ricardo Coutinho teve a mesma justificativa do apoio ao de José Maranhão: cargos.

É preciso encontrar pontos para a construção do consenso no interior do PT, fundamento de qualquer projeto partidário, mas os primeiros são esses: o respeito às decisões das instâncias partidárias, o reconhecimento de que há uma conexão entre o projeto nacional e o estadual e, por fim, a conseqüência em relação às decisões tomadas.

Afinal, o PT não foi derrotado para ficar no governo. Defender o contrário é jogar o PT na vala-comum que orienta a ação dos partidos tradicionais no Brasil. E o PT não merece isso.  

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22/dez às 13h55 - 

Kécio (aoliveira_2007yahoo.com.br):

» show de bola...! afinal nada combina tanto nesse país de Pedro Alvares Cabral, quanto politica e futebol. há nas duas questões inesplicáveis mesmo.

12/nov às 20h09 - 

Silvana do PT (sipthotmail.com):

» Sou capaz de apostar como Anselmo Castilho, Feitosa, Giucelia, Socorro Ramalho e outros ficaram engasgados com este seu artigo...

12/nov às 11h46 - 

Allyson Pacelli (allyson.pacellihotmail.com):

» Isso mesmo professor como sempre colocações bem feitas mas essa é a cara do PT paraibano um partido partido em busca de cargos

12/nov às 09h56 - 

marconi leite (marconi_leitehotmail.com):

» flávio, o futuro quase presente do governardor RC deve e como deve ter na sua base de sustentação pessoas ligadas ao pt, eu não considero o pt derrotado, o pt foi grande vitorioso nessa eleição haja vista as candidaturas de AM, FA, LC, PA, todas com expressivas votações. Vamos torcer para que o conjunto do pt volte a ser o de outrora e com sua força total ...