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Paraíba

João Pessoa, 28/08/2010 - 21h07

Heron Cid

Onde Maranhão acertou

Heron Cid é jornalista graduado pela UFPB. Filho de Marizópolis, no Sertão da Paraíba, começou na Rádio Jornal AM, em Sousa, foi repórter de política do Correio Debate (Correio Sat), apresentador dos programas Jornal da Correio e Correio Verdade, da TV Correio. Atualmente é um dos apresentadores do Correio Debate (Correio Sat), comentarista do quadro Pingo Quente, da TV Correio, colunista político do Jornal Correio da Paraíba e fundador e diretor geral do Portal MaisPB. heroncid@maispb.com.br

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Há quem ainda não entenda ou talvez não aceite como reais os números das pesquisas, que, de forma recorrente, mostram a vantagem do governador José Maranhão em relação ao seu principal adversário, o ex-prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB).

Uma análise do brilhante jornalista paraibano José Neumanne Pinto sobre a estratégia que levou Lula a se tornar imbatível e a carimbar o passaporte pra Dilma serve como luva para nos ajudar a entender o cenário atual da disputa na Paraíba.

Assim como o presidente, Maranhão percebeu logo quando assumiu o mandato tampão que não se reelegeria se não investisse pesado na formação de um alicerce político em todos os recantos do Estado.

E assim fez. Mudou a postura cisuda de outros tempos, se vestiu de humildade e caiu em campo para atrair lideranças de todos os níveis e pesos da aldeia paraibana. De líderes comunitários a deputados e presidentes de partidos.

Foi célere porque sabia que muito tempo não dispunha e lançou uma espécie de manta política sobre seus passos. Com jeito e habilidade abocanhou apoios de prefeitos de todas as regiões.

Pacientemente, soube esperar os erros gerados pela dificuldade de convivência do adversário com a chamada classe política. Aproveitou cada foco de insatisfação na Oposição para irrigar adesões.

Diferente de Ricardo Coutinho, não subestimou pequenos apoios, a partir da premissa basilar, na qual o conceito de soma no final faz a grande diferença.

Enquanto Ricardo dava gelo nos Armandos, Wellingtons e Ribeiros da vida, Maranhão jogava iscas e com paciência de pescador foi aos poucos fisgando peixes e tubarões do jogo político.

O lance de acerto de Ricardo em tese foi conquistar os votos de Efraim Morais e Cássio Cunha Lima, a maior liderança individual do Estado.

Só que o socialista esqueceu que os caciques só são fortes quando estão com o exército de índios na aldeia. Traduzindo: Ricardo teria também que buscar os aliados de Efraim e Cássio, não necessariamente inclusos no pacote da aliança.

Como isso não foi feito ou não foram encontradas as condições para se fazer, hoje é comum ver aliados do ex-governador longe do PSB e nos braços de Maranhão, fazendo uma cruzadinha, antes inimaginável numa política polarizada como a nossa.

E há até quem acuse Cássio de não estar transferindo os votos esperados. Cássio fez o que está ao seu alcance. O resto depende de Ricardo, o candidato principal e portanto aquele que deveria estar mais interessado em construir sustentabilidade política.

Se não vejamos. Mesmo em meio a atropelos, Ricardo ganha em Campina Grande, o reduto-mor do grupo Cunha Lima, mas tem se fragilizado em João Pessoa, colégio eleitoral que deveria ser a sua catapulta.

Ou seja, no terreiro de Cássio a Oposição vai bem, mas falta Ricardo fazer o dever de casa.

É o retrato nu e cru.  

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