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Paraíba

João Pessoa, 15/07/2010 - 09h48

Wellington Farias

Sem Jampa, não vai!

Nascido em Serraria (PB), Wellington Farias iniciou a carreira jornalística na Rádio Tabajara e Jornal a União. Já trabalhou nos principais veículos de comunicação do Estado, incluindo jornal, rádio, TV e portais. É criador do primeiro site de notícias da Paraíba, o Portal de Notícias.

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A campanha da oposição será mais intensa em João Pessoa. Nas hostes oposicionistas há um consenso: para vislumbrar chance de vencer esta eleição, Ricardo Coutinho (PSB) necessariamente terá que “partir lotado” da Capital e, portanto, com uma larga vantagem sobre o seu principal adversário, o governador José Maranhão (PMDB). Não sendo assim, bye bye! Esta também é a opinião dos marketeiros da campanha oposicionista.

O amarelão que se viu nos cruzamentos das avenidas mais movimentadas de João Pessoa, ontem, com militantes fazendo panfletagem pró-Ricardo, é apenas um começo do que virá pela frente para reverter uma situação que o candidato do PSB jamais esperava. De acordo com as pesquisas já divulgadas, Ricardo perderia no geral e só teria uma pequena margem de vantagem sobre Maranhão na Capital; a pesquisa do Ibope foi ainda pior: ele estaria perdendo para José Maranhão até dentro de casa.

O próprio candidato a governador pelas oposições caiu no corpo-a-corpo no primeiro dia de panfletagem. E não se iludam: Ricardo Coutinho vai investir todos os esforços na Grande João Pessoa para vislumbrar uma possibilidade de vitória.

Pode, sim! - Na manhã de ontem pipocaram nas emissoras de rádio denúncias de que servidores do município de João Pessoa estariam nos cruzamentos da cidade fazendo panfletagem em favor da candidatura de Ricardo Coutinho (PSB) a governador do Estado.

Havia indignação da parte dos denunciantes. Mas o fato de o cidadão ser servidor público não impede que ele faça a sua opção por candidatos e trabalhe para eles. Desde que, para tanto, não use equipamentos e recursos públicos, não estejam em campanha nos horários de expediente nem sob coação de superiores hierárquicos.

Em suma: funcionário público também é cidadão.

Barbas de molho... - As mensagens postadas por Cássio Cunha Lima (PSDB) no twitter denotam que o ex-governador trabalha com a expectativa de que será condenado pelo TRE no julgamento que já foi adiado duas vezes e que foi ultimamente marcado para o próximo dia 26.

O tom das mensagens é tipo “a Justiça precisa deixar que o povo julgue”.

Seminário - Uma grande idéia esta do Tribunal Regional Eleitoral de promover o I Seminário de Comunicação - A Mídia e as Eleições 2010. O evento realizou-se ontem, durante todo o dia, com grande participação de profissionais de imprensa e procuradores.

Uma coisa ficou muito clara: liberdade de imprensa e liberdade de expressão não combinam com a legislação eleitoral. Primeiro foi dito que a cláusula pétrea da Constituição Cidadã, que garante a plena liberdade de imprensa está mantida em sua totalidade. Depois, abriu-se um rosário de “não pode isso, não pode aquilo”.

Imprensa, pra que? - Impressionante como o poder público, principalmente a Justiça, tem a liberdade de imprensa como algo tão irrelevante. Acham perfeitamente normal a imprensa castrada.

Do leitor - Lei do Ficha Limpa é só uma panacéia Dá para acreditar na eficácia de uma lei de ficha limpa que não alcança nem de perto figuras como José Sarney, Renan Calheiros, Eduardo Azeredo, João Paulo Cunha, Jader Barbalho, Marcelo Miranda, no caso da Paraíba Cássio Cunha Lima, Agnaldo Ribeiro e outros? A mediocridade, a má fé e a informação de superfície, que caminham de braços dados nestes dias de ausência da decência, estão apresentando a "lei da ficha limpa" como o remédio que teria o poder de curar todos os delitos crônicos de uma vida política eivada dos piores vícios. É como se, daqui para frente, estivéssemos protegidos por um antídoto de eficácia fatal, capaz de limpar a área e afugentar os maus políticos.

Festeja-se em feéricas palavras, induzindo-nos à sensação de segurança moralizadora. Do jeito que falam, não precisa mais nada. O pente fino da Justiça Eleitoral separará o joio do trigo pela simples constatação que os maus elementos estarão catalogados a partir da condenação em segunda instância - ou por órgão colegiado.

Oferece-se ao povo cansado de tantos escândalos o vinho de mais uma inebriante ilusão de cura. E o povo, que só raciocina sob o turbilhão da mídia, respira fundo e diz: enfim, vencemos. É uma lástima.

Essa lei não deixa de ser um passo, apesar de distorcida na semântica da redação final, mas é apenas um passo. E nada mais.

Essa lei, ao contrário do que aparenta, é estranhamente esdrúxula. Sabendo-se que a morosidade é a marca registrada de uma Justiça que hoje empilha 70 milhões de processos, alguns com mais de vinte anos, subordina aos seus prazos proteláveis a constatação da ficha suja. E assim caminha a Humanidade (Fábio Cavalcanti).

Pense - "A política e os destinos da humanidade são forjados por homens sem ideais nem grandeza. Aqueles que têm grandeza interior não se encaminham para a política." (Albert Camus)


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