João Pessoa, 25 de Maio de 2013
Paraíba
João Pessoa, 03/02/2010 - 17h42

O que tem a ver o “Atentado no Gulliver” com a impunidade que impera em favor dos criminosos do trânsito, como Eduardo Henrique Paredes, que causou a morte de Fátima Lopes - ex-chefe da Defensoria Pública do Estado - e João Paulo Guedes Meira que continua gozando de liberdade apesar de ter sido condenado por matar o marido e um filho de Ana Paula Ramalho? Melhor: o que tem a ver com qualquer tipo de impunidade?
Tudo, absolutamente tudo!
Refrescando a memória: há mais de 15 anos, a Paraíba teve a sua imagem maculada no cenário internacional com a cena de truculência em que Ronaldo Cunha Lima, em pleno exercício do mandato de governador do Estado, tentou matar o ex-governador Tarcísio Burity, seu adversário político: Ronaldo foi ao Restaurante Gulliver, em João Pessoa, sacou de uma arma e meteu bala em Burity; foi preso em flagrante, mas em menos de 24 horas estava solto como um pardal.
O que aconteceu na seqüência? Primeiro, a sociedade premiou o malfeitor com um ‘honroso’ mandato de senador da República, oferecendo-lhe até o pretexto de que o povo o julgou pelo que fez, embora se saiba que o fórum apropriado para este tipo de julgamento é o Júri Popular; depois, a Justiça ficou embromando com o processo, como tem feito até hoje. São notórios os lances de aparente proteção ao acusado de crime contra a vida.
Em janeiro deste ano (Passsssmee!!!), o Tribunal de Justiça da Paraíba classificou como exagerada a sentença do Juiz da Vara do 1º Tribunal do Júri da Capital, que queria mandar Cunha Lima para o banco dos réus, e com isso evitou que Ronaldo fosse a júri popular. De acordo com o noticiário, o relator do processo, desembargador Nilo Luiz Ramalho pediu a anulação da sentença por achar um abuso a interpretação dada pelo juiz que pediu o julgamento de Ronaldo.
Portanto, o atentado tem tudo a ver com a impunidade em qualquer nível. Até porque este que é o mais emblemático caso da impunidade brasileira da história recente foi gerado na Paraíba; um fato que expõe os diferentes pesos e medidas com que a Justiça e a sociedade (esta, quando chamada a julgar ou votar) medem e pesam delinqüentes de sobrenomes “nobres”. Ronaldo também se beneficia com as brechas que os nossos representantes no Congresso Nacional ao sabor de suas conveniências para se salvaguardarem dos seus futuros atos criminosos enxertam nas leis brasileiras.
O “Atentado no Gulliver” e o tratamento que a Justiça dá ao seu protagonista é um estímulo à prática do crime. Aguça pendores delinqüentes e dá aos criminosos a certeza da impunidade, seja no trânsito ou fora dele.
Se Ronaldo Cunha Lima, com a responsabilidade que tem um governador de garantir a segurança do Estado e dos seus cidadãos, pôde ele mesmo disparar contra a vida humana e ficar na impunidade, por que o cidadão comum não pode ultrapassar sinais de trânsito, fazer piruetas no seu carro e pôr em risco ou mesmo matar gente no trânsito? É justamente este tipo de pensamento que o episódio como o do Gulliver gera naqueles que já tem uma inclinação para o crime, ou que se acham acima do bem e do mal porque são de família abastada.
Nós, pobres cidadãos, também temos um papel importantíssimo no combate aos criminosos, ao crime e à impunidade. Combate-los na raiz.
Para reflexão, supomos (apenas suposição) que membros dessas duas famílias que hoje sangram em suas almas pela perda dos entes queridos, mesmo depois do atentado do Gulliver, tenham defendido para o Senado da República o nome de Ronaldo Cunha Lima, à revelia do sofrimento e da indignação da família Burity que viu um dos seus mais ilustres filhos tombar sangrando com uma bala cravada no corpo disparada por Ronaldo, hoje, certamente estarão refletindo o passo em falso que deram na medida em que teriam ajudado a fortalecer a impunidade que é uma das mais tristes manchas deste Brasil.
» Fazendo uma analise deste artigo podemos tirar duas conclusões: em primeiro lugar acho certa a analise do jornalista, acho que a justiça tem que agir independente de quem seja a pessoa e o cargo que ocupa, nisso eu concordo em genero, numero e grau, no segundo plano ai sim vemos uma critica não só ao sistema mas a pessoa, ao grupo politico querendo massagear o leitor com noticia requentada, pergunto eu se no lugar de Ronaldo fosse o Sr. José Maranhão será que esta preucupação toda existiria??, acho que não, a mídia paraibana precisa de isenção acima de tudo e não de paixão, deixem que os eleitores e o leitor decidam a quem querem seguir..
» E pensar que Ricardo Coutinho se aliou a essa gente! Jogou súa trajetóra no lixo em troca de votos. Isso não convence o eleitor esclarecido. As urns vão mostrar isso...
» Vc tá correto é muita inpunidade uma safadesa mesmo.
» MEU QUERIDO PRIMO WELINGTON FARIAS. Existem fatos nessa Parahyba,assim como no Brasil,que a população ignara junto aos esforços desmefidos de inpunifdade, dos que tem a obrigação de zelar pelo verdadeiro Direito e julgam,não equivocadamente,!Mas, mais, para confundir a opinião pública dando a coberetura necessaria para que os leigos emgulam o comprimido nefasto do poder do SOBRENOME,!.!!Não podemos nem devemos aceitar nem esquiecer as atrocidades que são a forma daqueles que tendo o poder nas maõs,podem tudo.! Também jamais caberia no caso em tela, o presuposto da LEGITIMA DEFESA.!!A NÃO SER QUE O SUICIDIO TAMBÉM ESTEJA INCLUSO.!! (vital farias..)
» “Se Ronaldo Cunha Lima, com a responsabilidade que tem um governador de garantir a segurança do Estado e dos seus cidadãos, pôde ele mesmo disparar contra a vida humana e ficar na impunidade, por que o cidadão comum não pode ultrapassar sinais de trânsito, fazer piruetas no seu carro e pôr em risco ou mesmo matar gente no trânsito? É justamente este tipo de pensamento que o episódio como o do Gulliver gera naqueles que já tem uma inclinação para o crime, ou que se acham acima do bem e do mal porque são de família abastada”, escreveu o jornalista Welligton Farias em seu comentário Gulliver, trânsito e impunidade, publicado no site www.maispb.com.br Como eu, ele parece acreditar que soberanos constituídos pela “vontade popular” necessariamente deveriam ter “sangue azul”, razão e marca de sua integridade moral e cívica. Entre regimes políticos, não sou contra a Monarquia ou a existência dos reis, mas ninguém gosta de reis maus, como de quaisquer maus governantes. Entre os bons, eu seria capaz de conviver num país comandado por um justo ditador! Mas discursos e atitudes politicamente incorretas mostram que já não há dúvidas de que, assim como Deus parece ter se distanciado das igrejas, não pode um representante de uma justa Justiça surgir do resultado de urnas eleitorais: o desejo de administrar “bens públicos” tradicionalmente começa a crescer no coração daqueles que, velhos lobos disfarçados de cordeiros, se acham dignos da impunidade própria dos “donos do mundo”.
» Ainda bem que, a contar pelos comentários a respeito deste excelente artigo de Wellington, as pessoas continuam se indignando com a impunidade e com a injustiça. É importante que não percamos a esperança e continuemos gritando, porque é o silêncio que faz com que eles possam tomar quaisquer atitude, sem se pautar, verdadeiramente, pelos preceitos da Justiça. Vamos dizer não a essa corja que se acha integrante da nobreza e lembrar que vivemos numa república democrática.
» Para Cláudio Quirino: Não use argumentos estúpidos para justificar o injustificável, ao seu ver, então seria normal matar um ser humano por causa apenas de uma crise de ódio, quanta barbaridade!!! Sim, e hipocrisia é dizer que realmente a justiça é igual para todos, infelizmente sabemos, por meio de fatos concretos, que não é bem assim!
» Caro jornalista: Como se bastasse a impunidade sobreveio o prêmio com cara de escudo: a senatória. Se há um Deus que ele repare a justiça dos homens pois é um escândalo o que este senhor (paradoxalmente cognominado poeta) praticou. E não cabe lançar culpa no alcool, pois este não transfigura personalidades a esse ponto, apenas pode evidenciar a violência que já se encontra na alma, latente, espreitando, como espreita a morte de inocentes o bêbado ao volante...
» É PORQUE EXISTE EM NOSSO PAIZ, DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS. COMO VOCE BEM FALOU OS NOSSOS LEGISLADORES FAZ AS LEIS QUE VENHA FAVORECE-LOS POSRERIOORMENTE. SÓ EXISTE UM MEIO É POR MEIO DO VOTO CONCIENTE E NAO A TROCO DE DEZ REAIS ELE VENDE A SUA DIGNIDADE É ISSO AÍ
» Acho que todos tem direito de defesa, ninguem pode julgar ninguem. Até porque, ninguem sabe o dia de amanha. O odio que acometeu Ronaldo contra Burity pode acontecer com voce. Voce pode atropelar e matar uma pessoa, claro que sim. Somos humanos, temos falhas e ninguem são, sai de casa dizendo: Hoje eu vou atirar em Fulano ou atropelar beltrano. Todo mundo cisca porque a vitima era importante e querem aparecer na pela do morto, mas justiça é igual para todos e todos nós estamos sujeitos a fatalidades, odios e momentos de loucura. O resto é hipocrisia.
» Pois é, Wellington, quem vai para a cadeira é ladrão de galinha, ou se o crime for cometido contra alguém do Judiciário, da Polícia, veja se logo não chegam ao criinoso. Punidade na certa.
» Perfeito, amigo! Só vc mesmo para acordar a sociedade para a responsabilidade que tem nas mãos. Parabéns!
» Caro Wellginton, essa sua analise sobre a impunidade e violência que ronda nossa cidade, nossas vida e nossos políticos é de uma clareza que doi na alma. Perdi meu irmão mais novo ( anos 80,no trânsito paraibano da Beira Rio , um racha de carrões e dois assassinos playboys filhos dessas tais famílias abastadas de sobrenomes colunáveis). Meu irmão Euislan Noberto Tiburtino acabava de completar 21 anos, vinha prá casa aqui em Tambaú, andando a pé, após comemorar a festa de aniversário com amigos quando foi brutalmente atingido pela inconsequência e instito assassino daqueles infelizes que até hoje jamais foram presos, ou punidos com algum trabalho em comunidade... A vida aqui nessa cidade será sempre assim , haverá barulho enquanto um membro de alguma família também abastada seja a vítma ... divido minha tristeza com todos e todas que perderam algum filho, irmão, mãe, amigo, sob o domínio da VIOLÊNCIA no trânsito e em geral. Ednamay
» Quando eu ouvia falar em Wfodinha eu pensava que era porque ele era bom de f... Agora estou entendendo perfeitamente: o cara tem a coragem que falta nos demais jornalistas da Paraíba. Ele só escreve o que a gente quer saber. Vc está promovido de Fodinha para Fodona
» Ah se todo jornalista fosse assim!! Lembro muito bem que quando Ronaldo deu um tiro em Burity, medalhões da imprensa da Paraiba escreveram aberrações em defesa do criminoso. E fico a imaginar que a comunicação está nas mãos desse povo. Por isso, eis ai a impunidade...
» Tem toda a razão. Ora, se um governador se dá ao direito de matar gente, por que o cidadão comum não tem. Discordo com tudo que vem contra a vida humana. Mas não esetá certo que um pode e outros não. Ninguém pode. Pelo menos num lugar em que haja lei e justiça .
» Tenho acompanhado os seus escritos neste portal. Agora percebo que vc está sempre abordando essa questão do Gulliver, e,rádios, jornal, no Imprensado. Quem sabe se a imprensa em geral adotasse esse procedimento já não teria havido justiça dos homens?
» Sua coluna deveria chamar-se: O QUE TODO MUNDO SABE, MAS NÃO TEM CORAGEM DE DIZER. Desta vez só faltou mesmo dar nome (ou sobrenome) aos bois do trânsito...
» É realmente impressionante como as pessoas esqueceram desse episódio, e o mais impressionante é saber que a maioria dessas pessoas são daqui, da Paraíba! Isso me deixa indignada como cidadã paraibana e como profissional da educação, pois, é com esses exemplos que pretendemos pautar a formação dos nossos jovens??? Maravilhoso o seu artigo! Parabéns!!!
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