João Pessoa, 24 de Maio de 2013
Paraíba
João Pessoa, 30/11/2009 - 14h46

Uma pergunta que vem se impondo nos últimos dias é por que não ocorre logo o deslinde das divergências entre o ex-governador Cássio Cunha Lima e o senador Cícero em relação às eleições de 2010?
Quem conversa com Cássio ou aliados sabe que ele não tem dúvidas de que Cícero não o seguirá no projeto de candidatura única das oposições e no apoio ao nome do prefeito Ricardo Coutinho.
Quem conversa com Cícero sabe que ele está disposto resistir até às últimas conseqüências. Então por que não acaba logo a lengalenga dentro do PSDB?
Menos por razões nacionais (a necessidade do tal palanque para Serra), o problema reside em questões de estratégias e táticas da política local.
Da parte do ex-governador Cássio Cunha Lima, o problema é ele queria fazer um parto sem dor. Pretendia, com números de pesquisas, sufocar Cícero até ele largar sua candidatura. Espera ainda sair da peleja sem a pecha de traidor. Aguarda o momento ideal para mostrar que Cícero é intransigente.
Já do lado de Cícero a ideia é acumular forças para tentar transformá-lo no quadro decisivo das eleições de 2010. Sem Cássio. O senador tucano trabalha para atingir algo em torno de 20 pontos percentuais nas pesquisas eleitorais. Assim, ele manteria a candidatura a qualquer custo, entendendo que alcançaria o mesmo patamar nas urnas. Neste caso, ele seria decisivo para o resultado final da disputa para governador.
O temor é que sua candidatura seja tragada pelo fenômeno da bipolarização. Avalia-se que obtendo abaixo de 10 pontos percentuais, Cícero poderia até ser decisivo num segundo turno, mas seus votos restariam contados e ele teria dificuldades de emplacar sua candidatura a prefeito de João Pessoa em 2012 e até a de senador, posteriormente.
Deste modo, o dilema vivido por Cícero é apenas entre manter a candidatura ou tomar rumo diferente daquela e ser seguido Cássio já agora.
Talvez em razão disso é que Cássio e aliados trabalham para atropelar a candidatura de Cícero ainda neste ano de 2009. Para evitar que ele cristalize um eleitorado próprio e acumule forças para ser decisivo em 2010.
Só há uma saída para o PSDB continuar mais ou menos unido. É Cícero subir nas próximas pesquisas. Até março. Neste caso, o desfecho das divergências no PSDB pode até ser inusitado: haverá efetivamente a possibilidade de Cássio ser obrigado a recuar de suas posições atuais e apoiar a candidatura do partido.
Esse é o jogo que está sendo jogado no ninho tucano.
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