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ELEIÇÕES 2014

Presidente da Fiesp ainda está dividido entre Dilma, Aécio e Marina

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publicado em 29/09/2014 às 09h38

Nas últimas semanas, Benjamin Steinbruch demonstrou em entrevistas e conversas privadas simpatia pela candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva. Agora, resolveu modular essa interpretação. "Meu voto é a favor das mudanças", afirma.

Mas pode votar em Dilma Rousseff? "Se a presidente Dilma propor mudanças com relação ao futuro do Brasil, ela tem chance de ter meu voto". Repete esse axioma também para Marina e para Aécio Neves (PSDB). Na entrevista ao programa Poder e Política, da Folha e do "UOL", ressaltou: "Não sei em quem vou votar ainda. Posso até ‘dilmar’. Desde que atendidas algumas mudanças".

O presidente da Fiesp e dono da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) diz não ter intenção de revelar em quem votará para presidente. Para ele, empresários podem sofrer perseguição "de toda ordem" se declararem abertamente em quem vão votar.
Benjamin tem negócios imbricados com o governo federal. Por exemplo, a concessão para construção e operação da ferrovia Transnordestina, obra com 1.750 km de extensão.

O recuo retórico de Benjamin ocorre depois de ele ter começado a falar de maneira mais explícita sobre eventuais qualidades de Marina Silva. Na semana passada, o Palácio do Planalto enviou recados ao empresário, dizendo que a presidente da República estava desapontada com suas declarações.

Por algum momento, o governo cogitou transferir para Brasília um evento com empresários que estava marcado para esta segunda-feira (29), às 10h, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Passado um mal-estar inicial, o encontro foi mantido. Devem estar presentes dezenas de empresários para ouvir o ministro da Fazenda Guido Mantega, tendo Benjamin Steinbruch como um dos anfitriões.

Não que o presidente da Fiesp tenha recuado completamente das observações positivas que faz sobre candidatos de oposição. Apesar de dizer que pode até "dilmar", Benjamin cita Aécio Neves como "boa opção", o mesmo qualificativo usado para Marina. Sobre o tucano, faz uma ressalva: "Poderia ser mais agressivo nas [propostas de] mudanças".

Marina Silva, afirma, "sintetiza (…) o voto contra as condições que existem, [desejo] que foi manifestado nos movimentos de rua". A pessebista "é consistente, uma pessoa que evoluiu (…). Não acho um risco".

Gostaria de participar de algum governo como ministro? "Se eu tivesse condições do ponto de vista da iniciativa privada, ter certeza que os negócios estariam bem administrados, aceitaria sim". Em que área? "Qualquer uma. Eu tenho uma característica de ser fazedor. Educação, saúde, cultura, habitação".

ECONOMIA

Benjamin Steinbruch acha que se Dilma for reeleita, o ideal é que anuncie logo em seguida quem será o novo ministro da Fazenda, para acalmar os agentes econômicos. Em entrevista recente, a petista já afirmou que trocará sua equipe.

"Se for do desejo dela [Dilma] que saia [o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega], quanto antes nomeasse, melhor. Até mesmo para ter uma transição tranquila, já segue jogando", afirma Benjamin. Para ele, "em caso de continuidade do governo, quanto antes as coisas claras, melhor".

O presidente da Fiesp afirma que Mantega "tem feito um esforço grande de aumentar a interlocução com os empresários". Acha que tem sido um "esforço brutal" para diminuir as divergências entre os empresários e o governo.


ALMOÇO MAIS CURTO

Defensor de uma flexibilização nas leis trabalhistas, Steinbruch considera possível conseguir novas regras sem retirar direitos como FGTS, gratificação de férias ou 13º salário. Fala em mudar aspectos mais laterais, como o horário de almoço.

"Aqui temos uma hora de almoço. Normalmente, não precisa de uma hora. Se você vai numa empresa nos EUA, você vê [o funcionário] comendo o sanduíche com a mão esquerda e operando a máquina com a mão direita. Tem 15 minutos para o almoço. Se for vontade dos empregados, por que não? Será que não é mais legal ele voltar antes para casa do que ficar uma hora sem ter o que fazer? Estou falando em benefício do empregado também. Poderia ser negociado", explica.

Folha de SP