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‘DESERDADOS’

Entre os 10 presidenciáveis deste ano, seis já foram integrantes do PT

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publicado em 01/10/2014 às 10h34
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Você não precisa gostar do PT. Pode ser completamente contrário aos projetos propostos por seus representantes. Mas uma coisa não tem como negar: em sua trajetória, ele se tornou especialista em construir lideranças. Não acredita? Então vamos te mostrar um dado que representa bem essa ideia. Tirando a presidente Dilma Rousseff, 6 dos 10 candidatos à presidência nas eleições de 2014 já foram integrantes do partido. Alguns, inclusive, participaram da sua fundação no início da década de 1980.

Estamos falando de Marina Silva (PSB), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV), Zé Maria (PSTU), Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO). O que diferencia um do outro é a maneira com que deixaram a legenda; uma parte do grupo diz ter saído “com as próprias pernas” por divergências com a direção, enquanto outra afirma com todas as letras ter sido expulsa por não cumprir ordens da cúpula.

Marina Silva

Marina Silva se filiou ao PT em 1986. Em 1988, elegeu-se vereadora de Rio Branco, cargo que ocupou até 1990, quando se tornou deputada estadual no Acre. Foi eleita senadora pelo Estado em 1994 e reeleita em 2002. Nos anos seguintes, atuou como ministra do Meio Ambiente do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – e foi aí que começaram a aparecer os problemas.

A candidata diz que sempre enfrentou conflitos internos. Os mais marcantes foram com a Casa Civil de Dilma Rousseff, em 2006, e com o Ministério da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos de Roberto Mangabeira Unger, em 2008. Naquele ano, entregou uma simpática carta de demissão alegando falta de sustentação à política ambiental e voltou a exercer o mandato no Senado.

Em seguida, Marina deixou o PT e se filiou ao PV para se lançar candidata à presidência em 2010. Derrotada por Dilma, deixou-o em 2011 e, sem conseguir fundar sua própria legenda, a Rede Sustentabilidade, entrou para o PSB para ser vice da chapa de Eduardo Campos na corrida presidencial de 2014. Com a morte de Campos em um acidente aéreo, Marina assumiu a candidatura.

Luciana Genro

Luciana Genro entrou para o movimento estudantil em 1985. Na época, teve contato com o PT, partido de seu pai, Tarso Genro, e se filiou. A primeira eleição foi em 1994, quando se elegeu deputada estadual do Rio Grande do Sul. Foi reeleita em 1998. Em 2002, elegeu-se deputada federal. As divergências com o partido, porém, já eram evidentes.

Em 2003, Luciana foi contra a indicação de Henrique Meirelles à Presidência do Banco Central e a de José Sarney à Presidência do Senado. Pouco tempo depois, contrariando as ordens dos dirigentes, votou contra uma proposta de reforma da Previdência. Por isso, ao lado de Heloísa Helena, João Fontes e Babá, foi expulsa do partido e criou o PSOL.

Em 2006, foi reeleita deputada federal, agora pela nova legenda. Em 2008, ficou em quarto lugar na disputa pela prefeitura de Porto Alegre e, em 2010, apesar de receber expressiva votação, não conseguiu se reeleger deputada devido ao coeficiente eleitoral. Como seu pai se tornou governador, ela ficou em seguida inelegível para qualquer cargo no Rio Grande do Sul, mesmo sendo de outro partido.

Eduardo Jorge

Eduardo Jorge foi um dos fundadores do PT em 1980. Pelo partido, atuou como deputado estadual entre 1983 e 1986 e como federal entre 1987 e 2003. Foi ainda secretário da Saúde de São Paulo de 1989 a 1990, durante o governo de Luiza Erundina, e de 2001 a 2002, durante o de Marta Suplicy. Em 2003, deixou o partido por “divergências insanáveis com os métodos políticos da cúpula”.

No mesmo ano, entrou para o PV. Já na nova sigla, Eduardo assumiu a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente em 2005 e ficou no cargo até 2012 durante as gestões de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (na época no DEM).

Zé Maria

Um dos criadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Zé Maria também esteve à frente da fundação do PT. Na época, chegou a ser preso com Lula e sindicalistas enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Em 1992, foi expulso do partido ao lado de outros integrantes por defender o "Fora Collor", campanha a que a direção do partido era contrária, e por “discordar da adaptação petista aos patrões e ao Estado”. Em 1994, ajudou a fundar o PSTU, com que foi lançado candidato à presidência em 1998, 2002 e 2010.

Mauro Iasi

Mauro Iasi foi outro que esteve presente na fundação do PT. Anos depois, em 1989, apoiou a campanha presidencial de Lula e atuou como militante do partido até 2004, quando voltou ao PCB, a que era ligado na juventude. Alegou, na época, que o PT tinha “abandonado seus princípios e metas” visando "atingir grande dimensão e se tornar um dos maiores partidos do cenário brasileiro”. Em 2006, ele foi candidato a vice-governador de São Paulo na chapa de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

Rui Costa Pimenta

Em 1980, Rui Costa Pimenta ajudou a fundar o PT e a Tendência da Causa Operária, organização integrante do partido. Em 1989, porém, essa organização se opôs ao lançamento de José Paulo Bisol, que estava no PSB mas havia sido eleito senador pelo PMDB do RS em 1986, como vice de Lula na corrida presidencial – oposição que resultou no início da expulsão da Causa Operária do partido.

Essa separação foi oficializada em 1992, quando os militantes expulsos alegaram que o PT estava “se transformando em um instrumento de luta contra as necessidades dos trabalhadores e a favor da burguesia”. Em 1995, eles se organizaram e fundaram o PCO, que obteve registro definitivo em 1996. Pela legenda, Rui foi candidato a deputado federal em 1998, a prefeito de São Paulo em 2000, e a presidente em 2002, 2006 e 2010.

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