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Jornalista desde 1995 pela UFPB, com pós-graduação em Jornalismo Cultural. Radialista, marido de Gi, pai de Theo e editor setorial no jornal Correio da Paraíba. Torcedor do Flamengo e ex-professor do curso de Jornalismo na FFM. Já trabalhou, também, nos jornais A União e O Norte, no portal Tambaú 247, além das rádios Cabo Branco FM, Jovem Pan AM e CBN, sendo freelancer dos jornais O Globo e Estado de S.Paulo. Contato com a Coluna: jamarrinogueira@gmail.com

Jornalismo atropelado

Comentários:
publicado em 22/02/2015 às 17h35

‘Atropelamento com morte atrapalha trânsito’. Ex-aluno meu no curso de Jornalismo, Danilo Torres mostrou-me essa manchete de um portal paraibano. Não pude fazer outra coisa senão lamentar a falta de sensibilidade na construção do título. Equívoco proparoxítono de um jornalismo desprovido de alma. Fez-me lembrar ‘Construção’, de Chico Buarque: ‘Morreu na contramão atrapalhando o tráfego’… Neste caso, Danilo, quem morreu um pouquinho foi o jornalismo…

(…)
O jornalismo policial é tão nobre quanto o jornalismo cultural e outros segmentos relacionados às especificações da coleta e reprodução da notícia. O acompanhamento dos fatos criminais, judiciais, de segurança publica, do sistema penitenciário e investigações policiais requer muita qualificação. E sensibilidade…
Sensacionalismo e irresponsabilidade (já existentes nas origens do jornalismo policial, nos Estados Unidos, em 1690, com o jornal Publick Occurrences ) não combinam com jornalismo policial.
No Brasil, o jornalismo policial surge em 1917, no Rio de Janeiro, com Jornal do Commercio e Jornal do Brasil. Ganhou força e alguma seriedade na década de 1970 e ‘acanalhou-se’ a partir da década de 1980 (principalmente nos programas de rádio e televisão).
Muitos fizeram fama com o jornalismo policial no Brasil. Poucos ganharam respeito popular e atenção positiva da crítica. Pouquíssimos conseguiram reunir sensatez, responsabilidade e sensibilidade… A lista de famosos inclui Gil Gomes, Marcelo Resende, Caco Barcellos, José Luiz Datena e o falecido Tim Lopes…
(…)
Quinta-feira passada, a professora Néria Regina Vitória de Lima, 49, morreu esmagada por um ônibus, na avenida Epitácio Pessoa, na Capital. Foi vítima de um trânsito caótico, mal-educado e pleno de não-me-importismos. Depois de morta, Néria foi atropelada por um jornalismo insensível, tecnicista e açodado na construção informacional…

*Reprodução do Correio da Paraíba.

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