João Pessoa, 26 de junho de 2017 | --ºC / --ºC 05:56 - 2.6 | 12:09 - 0.1 | 18:28 - 2.4 Dólar 3,31 - Euro 3,70

ÚltimaHora

Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Dilema de Ricardo

Comentários:
publicado em 22/08/2011 às 17h50
A- A+

Em quase oito turbulentos meses de gestão, a presidente da República Dilma Roussef enfrenta uma questão crucial, quase um dilema no seu caminho, que pode inclusive delinear os passos do governo e até o seu futuro político no cargo.

Se decidir continuar peitando os partidos, bancando o ônus da faxina contra corrupção nos ministérios, a ex-guerrilheira também pode acumular dissabores na base, perder apoios das legendas e ficar debilitada no Congresso Nacional.

Se recuar, a presidente pode até se fortalecer politicamente, arregimentar os apoios necessários no Parlamento, mas correndo o risco de virar refém dos partidos e jogar pra baixo seu próprio conceito e popularidade perante a opinião pública.

O governador da Paraíba vive dilema parecido, só que noutra conjuntura. Ao eleger o Pacto pelo Social, programa com critérios e regras pré-estabelecidas, para distribuir recursos, Ricardo Coutinho consegue de fato republicanizar o rateio.

Porém, aprofunda um fosso de incompreensões na relação política com os aliados, habituados a cobrar tratamento e tamanho diferenciados. É difícil deixar o aliado satisfeito quando este fica fora e um desafeto entra na lista de contemplados.

Muitos deputados já externam nos bastidores certo desconforto por terem sido anulados na liberação de verbas para prefeitos da base. Aliados de primeira hora ficam naturalmente contrariados vendo adversários abrigados no mesmo guarda-chuva.

E aí mora o antagonismo. Do ponto de vista administrativo e social, o modelo traduz avanços extra-ordinários, mas a ruptura brusca pode fragilizar a base política do governador para o futuro. Tudo tem seu preço. E Ricardo parece disposto a pagar.

Aguardo –
Por enquanto, a classe política mais próxima ao governador prefere a posição de expectativa. Rebeldia ou alinhamento depende dos resultados do Governo.

Confiança –
Por mais que se censure internamente certas posturas, até entre os aliados mais críticos há uma forte crença no êxito de Ricardo no deslanchar da gestão socialista.

Paraíba Faz Educação –
Depois da assinatura do primeiro pacote de convênios do Pacto, esse final de semana, em Cajazeiras, o governador pega o embalo hoje e lança o Plano da Educação. Os 21 projetos contidos no Plano focam essencialmente na subtração dos índices de analfabetismo de jovens e adultos e no fomente ao ensino profissionalizante.

Lembrança didática –
Durante diálogo com produtores do Sertão, Ricardo lembrou que o Cooperar estava há três anos sem liberar recursos, mas neste ano já disponibilizou R$ 5 milhões a projetos de Arranjos Produtivos Locais. A meta é chegar aos R$ 20 milhões até o fim do ano.

Civilidade política e o exemplo de Cajazeiras –
Quem esteve na 9ª Regional de Ensino, em Cajazeiras, no sábado, quase não acreditou ao ouvir o maranhista prefeito Carlos Rafael rasgar elogios ao adversário e governador Ricardo Coutinho. Antes, Rafael fez questão de abraçar Ricardo no aeroporto.

Sensacionalismo I –
O leitor José Lima (josedim@bol.com.br) critica a imprensa por explorar como inusitado um gesto que deveria ser visto como sinal de maturidade.

Sensacionalismo II –
“A imprensa não está disposta em se libertar desta cultura medíocre e parece interessada em defender esta apologia para sair na frente no ibope”, censurou.

Na cola –
Um dia após o governador, o senador Vital Filho (PMDB) aterrisou em Cajazeiras com direito a entrevista coletiva. É contraponto em qualquer circunstância.

Ironia –
De Jackson Macêdo, do PT coutista, sobre a numerologia de Rodrigo Soares na defesa de candidatura própria. “Realmente, tem muita consistência política”.

Solidário –
O senador Cícero Lucena (PSDB) manifestou pesar pela morte de José Nilson, dono da Cerâmica Elisabeth. “Um exemplo de paraibano empreendedor”.

Deu na Veja –
A indicação de Aguinaldo Ribeiro na liderança do PP faz parte da queda de braço do ex-ministro Márcio Fortes com o atual das Cidades, Mário Negromonte.

Continuidade –
Entusiasmado, o secretário da Articulação Municipal, Manoel Ludgério (PDT), aposta que o Pacto pelo Social será uma política deste e dos futuros governos.

Pra depois –
O vice Rômulo Gouveia foi, mas o ex-governador Cássio pediu desculpas e não esteve na festa de entrega do título de cidadania a ambos na cidade de Santo André.

Fogo cruzado –
PCO, PSTU, PCB e PSol se unirão em torno do ex-deputado Avenzoar Arruda para prefeito da Capital. Vão mirar o verbo contra Agra, Cícero e Maranhão.

Bate boca – Quase termina mal a escolha dos conselheiros do Orçamento Democrático em São José dos Ramos. Por previdência, a coordenação encerrou a tumultuada reunião.

PINGO QUENTE – “Acabei de chegar do Circo Tihany. Vale a pena conhecer”. Do deputado Ruy Carneiro, testemunha de alguns “circos” da bancada paraibana no Pacto, optando por espetáculo mais autêntico e salutar no fim de semana.

*Reprodução do Correio da Paraíba

Leia Também