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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Dois presidentes, um problema

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publicado em 28/10/2011 às 09h33

Não faz muito tempo e o PPS era só um nanico lembrado, a cada eleição, por grupos políticos interessados apenas no componente de tempo para guia eleitoral. Não mudou muito, mas a eleição de dois deputados estaduais pelo menos colocou a legenda em evidência e deu tamanho suficiente para figuração no primeiro escalão do Governo.

Bastou ganhar razoável vitamina e o PPS perdeu o prumo. Quem deveria segurar firme a direção e seguir a rota da unidade partidária, até então característica marcante da agremiação de Roberto Freire, preferiu seguir o atalho e orientar um deputado a escolher o caminho do conchavo escondido, seduzido a ostentar a uma “meia vitória”.

Foi o que se deu entre José Bernardino e o deputado Janduhy Carneiro. O primeiro estimulou e apoiou o segundo a trair o Governo que ajudou a eleger e defendeu como um lobo feroz até pouco tempo. Janduhy podia até ter suas razões para arrotar insatisfação com Ricardo, mas nessa hora deveria entrar em cena um presidente conciliador e não um conselheiro da discórdia.

Janduhy só deu a “rasteira” no Governo porque contou em seu favor com o endosso do seu líder partidário. Nessa crise, Bernardino errou mais que o seu liderado. Ao invés de ponderar e jogar água para umedecer a lã do carneiro, ele optou por jogar o cordeiro na fogueira. Nem percebeu que também estava traçando o próprio sacrifício.

Essa inabilidade levou o PPS a ser hoje um pequeno partido com um grande dilema: resolver o problema de ter dois presidentes. Impasse que poderia ter sido evitado se tivesse pelo menos um presidente. De juízo.

Jogou a toalha
Por não agüentar o efeito da derrota ou por não suportar a pressão governista, Bernardino entregou a Secretaria-Executiva da Administração Penitenciária.

Ainda vivo
No entanto, ele mostrou certo prestígio com a direção nacional do PPS. Trouxe o deputado Raul Jungman para falar grosso e mandar recados ao Governo.

Raul e a mosca na sopa da ala governista
Ousado, o pernambucano primeiro avisou que o PPS terá candidato próprio em João Pessoa, como repentinamente passou a desejar a dupla Bernardino-Janduhy, e mandou um seco e irado torpedo ao governador Ricardo Coutinho. “O PPS não se vende e não se compra. Quem está pensando nisso vai quebrar a cara”.

Ex-comunista pede calma
Já o presidente nacional da legenda, Roberto Freire, trocou tuitadas com o vereador pessoense Bruno Farias, recém-eleito por aclamação vice-presidente estadual do PPS. Freire orientou o cessar de ameaças de expulsão no partido. “Tranquilidade nesse momento é fundamental”.

Gilma e a postura de magistrada –
No meio desse tiroteio verbal, ponto para a deputada Gilma Germano que age com cautela, evita declarações incendiárias e adota tom extremamente conciliatório. Postura de quem quer realmente reconstruir a unidade partidária. “Ainda não é o momento de se discutir eleição. Não é agora”.

Pra fechar
Nos momentos que antecedem a coreografada despedida, o senador Wilson Santiago (PMDB) abraçou uma bandeira interessante e profícua para a Paraíba.

Gigante
Ele conversou ontem com o executivo Terry Gou, a quem sugeriu a instalação da Foxconn na Paraíba. A multinacional quer investir U$ 12 bi no Brasil.

Presente de grego
O presidente Aucélio Gusmão descontou desta vez 12% dos honorários dos cooperados da Unimed João Pessoa. Não levou em conta nem o mês dos médicos.

Mensaleiro
Delúbio Soares, operador do mensalão, desembarcou ontem na Paraíba. Como parte de seu périplo pelo país, ele entregou provas de sua ‘inocência’ na OAB.

Tapete
Em João Pessoa, Delúbio foi carinhosamente recepcionado pelo deputado Luciano Cartaxo, Rodrigo Soares e Anselmo Castilho, ases do PT paraibano.

Oficial
O deputado estadual Doda de Tião já não é mais do PMDB. Segundo fontes do partido, ele entregou pedido de desfiliação ao diretório de Queimadas.

Embasado
Contactado pela Coluna, o advogado Demetrio Almeida desconversou, mas ressalvou: “Se fez isso, ele está amparado pela Resolução 22.610 do TSE”.

Fundamentação
Doda alega grave discriminação pessoal e até ameaça de expulsão. Se provar, fica livre para se filiar a um novo partido (PSD) ou qualquer outra legenda.

Sangue nas veias
O prefeito Antônio Gomes (PSDB) convocou os filhos Alisson (digitador), Alan (fiscal) e Rosemagna (pedagoga), aprovados no último concurso de Marí.

Grande família –
A ‘farra’ foi denunciada pelo vereador Ednaldo Martins (PSB), que promete levar o assunto ao Ministério Público. Talvez seja caso para Vara de Família.

PINGO QUENTE – “Não dá pra ser denorex”. – Do deputado pernambucano Raul Jungman vindo de Recife ditar que o vereador Bruno Farias deve sair da base de Agra ou entrar na fila dos desfiliados do PPS.

*Reprodução do Jornal  Correio da Paraíba

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