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Administrador, pós-graduado em Planejamento Operativo, já atuou na administração pública federal, estadual e municipal. Ocupou por três mandatos o cargo de presidente do CRA-PB e de diretor do Conselho Federal de Administração. Diretor Institucional do SINTUR-JP de 1993 a 2016. Consultor em Administração, presentemente exerce as funções de vice-presidente da APCA (Academia Paraibana de Ciência da Administração). Contato: diretorexecutivoaetc@yahoo.com.br

Taperoá como Capital/PB

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publicado em 02/03/2012 às 00h35

Recuamos da idéia que alimentávamos e que já a transmitíramos para algumas pessoas, especialmente políticos e jornalistas, quanto a que a Paraíba pudesse adotar uma outra cidade para sua Capital e que esta cidade coincidisse estar encravada bem no centro do Estado, isto dentro da mesma lógica que levou Brasília a ser o Distrito Federal a partir de 1960. Quer dizer: o centro político-administrativo do país ficou, geograficamente, com melhor eqüidistância em relação ao conjunto das demais unidades federativas. E, do mesmo modo – era nosso pensar -, a Paraíba poderia ter seu centro político-administrativo em uma cidade com melhor eqüidistância geográfica relativamente aos demais municípios paraibanos. Observando-se o mapa geográfico da Paraíba, encontramos, pois, assim, bem no centro, o município de Taperoá.

Esta idéia alimentávamos desde quando concluímos, em 1984, curso de especialização em planejamento operativo, em cuja monografia enfatizávamos a necessidade de interiorização do desenvolvimento estadual , contrapondo-se, portanto, às ações governamentais preponderantemente ao redor de João Pessoa e Campina Grande. Aliás, como que uma crítica àquela situação concentradora, no discurso que fizéramos, como orador da turma, lembrávamos que costumávamos ser críticos do Governo Federal por mais direcionar seus recursos em favor do Sudeste e Sul do país; dizíamos que também costumávamos criticar este mesmo Governo Federal porque, quando direcionava alguns recursos para o Nordeste, fazia-o bem mais privilegiando Pernambuco e Bahia, em detrimento dos demais Estados; mas, ainda dizíamos que, relativamente a nós mesmos, não nos criticávamos por direcionar os recursos do Estado mais beneficiando João Pessoa e Campina Grande, em detrimento das demais cidades.

Era (e é) essa falta de interiorização do desenvolvimento que acarreta que “todo mundo”, de todos os “rincões”, busque(m), cada vez mais, as Capitais, ao ponto de termos, como no caso da Paraíba e com base nos dados do Censo 2010, um aumento populacional de 9% no âmbito estadual e de 23% em João Pessoa. Essa migração é justificada com argumentos tipo “se em nossa terra só deixam o osso pra roermos e lá na Capital é que fica o filé, por que aqui permanecermos?”. Note-se o que aconteceu decorrente da implantação de Brasília como Capital do país: hoje já são 2,5 milhões de habitantes naquele planalto. Se não tivesse havido a transferência da Capital, certamente o Rio de Janeiro hoje estaria com uns 2 milhões a mais de habitantes, distribuídos, inclusive, em seus morros/favelas. Que maior caos não seria?!…

Apressamo-nos em destacar, porém, que somos pessoense de nascimento e também pelo amor que temos a esta terra. Aquela idéia de tirar-lhe a condição de Capital nascera exatamente por querermos o melhor para esta cidade, tendo em vista que João Pessoa já dispõe das condições sócio-econômicas necessárias à sua própria sustentação independentemente de ser Capital do Estado. Essa interiorização do desenvolvimento, portanto, beneficia-lhe em termos de menor densidade demográfica, consequenciando-lhe melhor qualidade de vida.

Todavia, está-se a perguntar: “E mudou de idéia, por que?”.

– A respeito deste assunto, conversando com Coriolano Coutinho, irmão do governador do Estado, ele justificara não ser necessário mudar a Capital para Taperoá para que ocorra a interiorização do desenvolvimento. Confiava que o atual Governo priorizaria essa diretriz. E agora, segunda-feira (27), o Governo anunciou um pacote de obras de mais de meio bilhão de reais, contemplando 78 municípios paraibanos e prometendo outras ações no mesmo sentido de interiorização. Que assim continue, cabendo-nos, entretanto, proximamente voltar a reportarmo-nos àquela idéia para completar sua explicitação.
 

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