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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Discurso e prática

Comentários:
publicado em 07/03/2012 às 16h45
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Nunca, nem no confronto de 2010, houve tanto empenho da direção estadual do PT em arrancar, de qualquer
forma, apoios e manifestos da direção nacional para interferir, ou influir, na decisão interna da legenda, como acontece agora com o advento da pré-candidatura do deputado
Luciano Cartaxo em João Pessoa.

Sem querer querendo, os adeptos da tese transmitem
insegurança da suficiência dos argumentos locais para convencer o militante da consistência e sinceridade de propósitos. Terceirizam o debate e se valem, de forma ostensiva,
do cabedal das lideranças nacionais, importantes sim, mas
distantes da realidade política em questão.

Essa fragilidade ficou mais evidente diante das cenas
de pugilato registradas essa semana no confronto entre
assessores e apoiadores de Luciano Cartaxo e partidários
alinhados ao PSB. Uma imagem deplorável. Um mau
exemplo político e um atestado de que o PT está distante
da maturidade e serenidade tão necessárias à solução de
conflitos.

Se Cartaxo e companhia acreditam no poder do convencimento, na viabilidade da postulação e no sentimento
da militância, porque a atitude tresloucada de se tentar a
todo custo invadir a diretoria financeira do partido, sob
o pretexto de se buscar transparência na lista de filiados?
Logo da parte de quem tanto prega o tal do diálogo.

Arrombamento – Contactado pela Coluna, o deputado Luciano
Cartaxo negou a acusação
de uso de um pé-de-cabra
para tentar arrombar a sala
onde a suposta lista de filiados se encontrava.

Em parte – Cartaxo admitiu
apenas ter chamado um
chaveiro para abrir a porta
da diretoria financeira.
“Não tem nada disso. Júlio
Rafael é que chegou muito
exaltado na sede”.

Pau no lombo de Barbosa – Cartaxo também metralhou o presidente da legenda
em João Pessoa. “Isso é um grande desespero. Antônio
Barbosa diz que não entregou a lista, porque não estava
preparado para a inscrição de seis mil filiados. Eles estavam
pensando num PT pequeno, mas nós fizemos um chamamento pra base. No PT, quem vai decidir é o militante”.

Pau no lombo de Júlio – Afiado, Cartaxo espetou o ex-vereador e superintendente do Sebrae, Júlio Rafael.
“Eu tenho mais de vinte anos de PT. Eu nunca vi uma
briga no PT sem Júlio Rafael no meio. Acho isso muito
ruim para a postura de um superintendente do Sebrae”.

Condução do processo eleitoral – Ainda no final da tarde de ontem, segundo Luciano,
a badalada lista ainda não estava pronta. “Não é democrático. Eles têm acesso à lista e nós não temos. A direção
municipal está se mostrando incompetente para conduzir
um processo desses”.

Leitura girassol – O vereador Bira
Pereira (PSB), instado a
enveredar no debate do
quebra-pau petista, vê no
‘incidente’ a representação
do desespero diante da força do deputado Luiz Couto.

Armação – Ausente do ringue
armado na sede do PT, o
deputado Frei Anastácio
abriu o seu rosário. “O PT
não merece isso. Sabemos
que há interesses. Foi tudo
muito bem montado ali”.

Precaução – A direção estadual do
PT vai pedir que a direção
nacional envie representantes para monitorar e acom-
panhar todas as movimentações do encontro interno
do partido dia 18.

Intervenção branca – Luiz Couto acusou a
intervenção. “Nosso repúdio também ao discurso de
intervenção que já começa
a ser feito por esta maioria.
Contra este golpe, irei às
últimas instâncias”.

Tá podendo – Há quem diga na ágora: se Cartaxo tem apoios
de Zé Dirceu, do mensalão,
e de José Guimarães (CE),
do dinheiro na cueca, não
lhe faltarão recursos. Aliás,
argumentos.

Manobra  – Sob risco, o líder
Hervázio Bezerra fez o que
pôde. Postergou a votação
das MP’s apostando em
novo entendimento jurídico sobre a necessidade de
maioria qualificada.

Forçação de barra – Cá pra nós, como diria
o filósofo Ruy Dantas, não
cabe na cabeça de ninguém
ser inconstitucional um
governo fundir secretarias,
como advogam os gladiadores da CCJ.

Acerto – O governador Ricardo
Coutinho em boa hora entregou a Polícia ontem 225
novas viaturas, 200 motos,
coletes e armas. Combate
à violência exige bem mais
que discurso.

Fim da obrigatoriedade – Profícua a lei do
deputado Gervásio Filho
(PMDB), aprovada ontem.
A medida facilita a vida dos
estudantes e faz estrago no
casco da poderosa máfia
das carteiras na Paraíba.

Era o que faltava – Não bastassem os
problemas da Unimed-JP,
agora o presidente Aucélio
Gusmão investe tempo e
energias na intimidação de
jornalistas. Receita pouco
saudável, a esta altura.

Pingo Quente

Eu passei um vexame. Eram dez pessoas”.

(Do presidente do PT de João Pessoa, Antônio Barbosa, confessando ‘aflição’ ao
se deparar sozinho no meio dos lutadores do octógono petista)

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