João Pessoa, 28 de junho de 2017 | --ºC / --ºC 01:09 - 0.4 | 07:34 - 2.4 | 13:49 - 0.4 | 20:04 - 2.2 Dólar 3,30 - Euro 3,75

ÚltimaHora

Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Destinos cruzados

Comentários:
publicado em 07/06/2013 às 18h05
A- A+

Não era a melhor de todas as opções, mas diante das circunstâncias – muitas das quais mantidas nos bastidores e longe das confissões públicas – a decisão do ex-prefeito Luciano Agra se filiar ao PEN foi a melhor dentro do quadro possível. Por algumas razões fundamentais ao futuro do arquiteto.

Sem proferir uma única palavra, Agra disse muito com sua opção, a começar pela sinalização de que não alimenta reaproximação com Ricardo Coutinho. Segundo: não deseja ser candidato a governador, como tem insinuado. Se de fato trabalhasse essa tese teria escolhido o PT, legenda que lhe daria tempo de propaganda e estrutura.

Mais: filiado ao PEN, do presidente da Assembléia, Ricardo Marcelo, Agra tem o que queria: a liberdade para ser “noiva” tanto de uma chapa encabeçada por Veneziano Vital quanto de uma composição com o senador Cássio Cunha Lima, em caso de rompimento com Ricardo.

Quarto: ao preterir o PT, Agra expõe a fratura da relação mal resolvida com o prefeito Luciano Cartaxo e o seu partido. Se tudo tivesse bem, o caminho natural seria o ingresso do ex-socialista na legenda de quem foi parceiro e principal cabo eleitoral num passado bem recente e cuja gestão abriga alguns dos seus mais caros seguidores.

Adversário de Ricardo, Agra decidiu somar sua popularidade em João Pessoa à envergadura de Ricardo Marcelo, dirigente de um poder cospe fogo no Palácio da Redenção e que, pela estrutura, mantém deputados e agentes políticos na sua órbita.

O encontro de Agra e Marcelo, portanto, não é obra do acaso. O destino dos dois se cruzou num ponto comum: o desafeto ao governador, seguido da obstinação e desejo de arrebatar o poder das mãos de Ricardo Coutinho, de quem não escondem diferenças.

Bastidores
Antes de tomar a decisão final, Agra ouviu atenta e demoradamente aliados e liderados. Juntou todos numa grande reunião na última terça-feira, mas só dividiu sua sentença com resumido núcleo de conselheiros/guardiões.

Segurança
Na impossibilidade do controle, como se deu na frustrada tentativa de filiação ao PV, pesou muito para Agra a necessidade de escolher uma legenda comandada por um dirigente confiável. RM atendeu a este critério.

Pulo do gato
Discreto e sem alarde, Ricardo Marcelo costurou a filiação de Agra e trouxe ao híbrido PEN o verniz que o partido precisava. A operação revelou: o presidente da Assembléia não almeja cargo na majoritária (do contrário não queria nenhuma sombra) e fincou de vez o pé na oposição ao atrair a filiação do maior desafeto do governador.

Felinos
A união de Ricardo Marcelo e Agra no PEN foi uma espécie raríssima de duplo recado na selva política paraibana: de Marcelo para o governador Ricardo Coutinho e do ex-prefeito para o prefeito Luciano Cartaxo (PT).

Triz-
“O rompimento não passa da ceia do Natal”. De um dirigente petista em contato com a Coluna, interpretando a filiação de Agra ao PEN como o estopim do irreversível e iminente afastamento entre o ex-socialista e Cartaxo.

No stress
Sereno, Luciano Cartaxo manifestou resignação pela preterição de Agra ao PT, em que pese os convites e inserções da direção nacional: “Vamos continuar parceiros pelo desenvolvimento da cidade e projetos futuros”.

Liberdade
Lamentando a não filiação de Agra ao PT, o deputado Anísio Maia (PT) assegurou que o partido fez várias gestões, porém em nenhum momento agiu com pressões. “Ninguém deveria forçá-lo. Tudo tem que ser espontâneo”.

Causa e efeito
Houve quem perguntasse ontem qual seria a relação do pedido de vistas das contas de Agra, por parte de um vereador cartaxista (Sérgio da Sac), e o repentino anúncio de filiação ao PEN em tom de recado ao Paço…

Chancela
“Trabalho para viabilizar a candidatura de Rômulo Gouveia ao Senado”. A afirmativa é do presidente do PSD, Gilberto Kassab, para quem a postulação do ‘gordinho’ tem o interesse e o crivo do projeto nacional do partido.

Reciprocidade
Ao Correio Debate (Correio Sat), Kassab disse que o apoio do PSD à reeleição de Dilma é um caminho irreversível. “Ela merece ser reeleita pelo bom governo que faz”. O PSD emplacou Afiff Domingos num ministério.

Réplica
A presidente do PMN, Lídia Moura, respondeu a declaração do vereador Bruno Farias (PPS), na Coluna de ontem. “Carrapeta não dá em pião” foi a forma que ele achou para dizer que Lídia não tem tamanho para gerir o MD.

Fechado
“Entendimentos políticos feitos por ocasião da fusão PMN/PPS definiram que a presidência da MD Paraíba ficará com o PMN, entendimento reafirmado na reunião da executiva nacional, dia 21 de maio”, frisa Lídia.

Ponto final
“O comando na Paraíba, portanto, fica com dirigente oriundo do PMN. Nova reunião da executiva acontecerá na próxima segunda-feira, mas nela não trataremos mais deste ponto, haja vista já está definido”, arremata ela.

PINGO QUENTE“Em 2010 foi feito muito isso”. Do ex-governador Roberto Paulino (PMDB) minimizando as adesões a Ricardo Coutinho, sem poupar nem o exemplo do insucesso de Zé Maranhão.