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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

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07/11/2013 às 11h19
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Poucos presidentes da nossa Assembleia Legislativa ousaram tanto. Ousadia, essa é mesmo a palavra certa para quem na Paraíba comete a ‘loucura’ de contrariar a tradição e arcar com o ônus de levar um poder historicamente agachado por força do tradicional fisiologismo parlamentar a uma postura de independência.

Ricardo Marcelo tem tido essa coragem, queiram ou não os seus desafetos pessoais e políticos. Qualquer outro no seu lugar de empresário optaria pelo caminho mais fácil, cômodo e rentável, em todos os aspectos, e viveria de boas com o governo, desfrutando de todas as facilidades embutidas nessa relação.

Preferiu a porta estreita e a coluna do meio. Não é inimigo declarado, mas por não se subordinar ao Palácio da Redenção termina assim sendo interpretado. Normal. Qualquer outro grupo que estivesse no centro do poder teria essa mesma impressão. Não se trata de visão, mas da cultura política impregnada na Praça João Pessoa.

Só que esse brejeiro de Belém parece vara de bambu. Enverga, mas não quebra. Já enfrentou todo tipo de risco sem arredar um minuto de sua posição. Não dá pra calcular o quanto perdeu ou poderia ter lucrado se tivesse seguido a correnteza do pragmatismo, tão comum na política e no mundo do capital, segmento que ele integra.

Esse destemor conquistou simpatia dos colegas, credibilidade da opinião pública e respeito dos servidores da Casa. Aliás, é nessa legislatura que a instituição volta a fazer concurso para contratação de pessoal após quatro décadas e tomou a sábia decisão política de usar a verba de comunicação para promoção social e prestação de serviço.

Aniversariante de hoje, Ricardo Marcelo deve usar o dia para meditar se é um empresário político ou um político empresário. Seja qual for o saldo da meditação particular, a Paraíba já sentiu, através dele, que nem todo empresário vê na política meio de lucro e nem todo político faz do mandato um negócio.
 

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 06/11/2013 (quarta-feira).

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