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Administrador, pós-graduado em Planejamento Operativo, já atuou na administração pública federal, estadual e municipal. Ocupou por três mandatos o cargo de presidente do CRA-PB e de diretor do Conselho Federal de Administração. Desde 1993 exerce as funções de Diretor Executivo da AETC-JP. Contato: diretorexecutivoaetc@yahoo.com.br

Delfim e o transporte coletivo

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publicado em 14/01/2014 às 10h00
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Na segunda-feira 6 de janeiro corrente escrevemos sobre “Batinga e o transporte coletivo”, apontando alguns posicionamentos desse notável técnico e também político paraibano (Carlos Batinga) em que ele procura despertar e conscientizar nossos governantes quanto à priorização que deve ser dada ao transporte coletivo urbano para garanti-lo em nível satisfatório para a população, precisando, portanto, que a esse transporte coletivo reserve-se corredores ou pelo menos faixas exclusivas para os ônibus, além de desonerá-lo e/ou subsidiá-lo para poder preservar modicidade tarifária.

Agora nos referimos a “Delfim e o transporte coletivo” porque dele (Antonio Delfim Netto – economista, ex-ministro da Fazenda em dois governos, ex-deputado federal por São Paulo e catedrático da USP) vimos e lemos um artigo de setembro/2013 em que ele bem enfatiza:

– “Nem mesmo o mais ingênuo dos cidadãos acredita que o Estado ou o governo que o administra possam criar recursos. O governo é só um transferidor de recursos. Para a sociedade não pode haver transporte gratuito. Para uma parte dela, pode, sim, mas terá de ser paga pela outra parte. A experiência mostra que a forma mais eficiente e econômica de oferecer transporte urbano é através de concessões ao setor privado, autorizando a tarifa mínima que atenda às condições de qualidade fixadas no edital. Quando ela – a tarifa – for acima da modicidade assimilável pela população, cabe ao governo cobrir a diferença com subsídio claramente registrado no Orçamento”.

Essa colocação de Delfim Netto lembra a seguinte estória/exemplo:

– Um grupo de quatro pessoas adentra ao ônibus e uma delas pergunta ao cobrador qual o custo da passagem desse grupo! O cobrador responde que é de R$ 6,00, ficando a tarifa de cada uma em R$ 1,50. A mesma pessoa pondera que entre as quatro há uma maior de 65 anos, portanto “Passe Livre”. O cobrador esclarece que o custo pelas quatro continua de R$ 6,00, mas como só três vão pagar, a cada uma cabe a tarifa de R$ 2,00. A pessoa perguntadora insiste que, entre as outras três que pagam, há uma que é estudante, ou seja, tem 50% de abatimento. E aí o cobrador persiste em informar que o custo pelas quatro pessoas continua de R$ 6,00… mas, como há uma de “Passe Livre” e uma outra de “Meia-Passagem”, duas ficam com tarifa de R$ 2,40, a que é estudante paga só R$ 1,20 e a de gratuidade não paga nada (tarifa zero). Quer dizer: se o governo cria benefícios para uma parte da sociedade e esse mesmo governo não cobre esse custo com “registro claro em seu Orçamento”, eleva o valor da tarifa para os que a pagam inteira. (Provavelmente, pensando como Delfim, é que o procurador de justiça Valberto Lira propôs dia 8 recente o fim das gratuidades nos jogos de futebol do campeonato paraibano, a fim de que não eleve o valor do ingresso nem prejudique a manutenção dos clubes).

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