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Administrador, pós-graduado em Planejamento Operativo, já atuou na administração pública federal, estadual e municipal. Ocupou por três mandatos o cargo de presidente do CRA-PB e de diretor do Conselho Federal de Administração. Diretor Institucional do SINTUR-JP de 1993 a 2016. Consultor em Administração, presentemente exerce as funções de vice-presidente da APCA (Academia Paraibana de Ciência da Administração). Contato: diretorexecutivoaetc@yahoo.com.br

A violência que (não) se vê

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publicado em 23/01/2014 às 10h25

Uma ONG de nome Seguridade, Justiça e Paz, anunciada como mexicana, ganhou bons espaços em toda a mídia paraibana, na quarta-feira 22 de janeiro, com a divulgação de uma pesquisa, por ela realizada, cujo resultado aponta que “João Pessoa é a 3ª cidade mais violenta” do Brasil. Os 1º e 2º lugares, nesse “ranking” da violência, estariam com outras duas cidades nordestinas: Maceió e Fortaleza, respectivamente. E ainda inclui Natal, Salvador e São Luiz, também nordestinas, nos 4º, 5º e 7º lugares. Quer dizer: mais da metade das capitais dos estados do Nordeste encabeçaria esse quadro de cidades mais violentas do país, cabendo igualmente se registrar que em 9º posição ficaria Campina Grande!

Buscamos na internet mais informações sobre essa pesquisa e consequentemente sobre a ONG Seguridade, Justiça e Paz. Da pesquisa encontramos só os dados já divulgados pela mídia local. Da ONG, para verificar sua origem mexicana e outros trabalhos que nesse campo da violência já tenha desenvolvido, nada encontramos (Talvez por nossa pouca ou quase nenhuma praticidade nessas buscas).

Fato é que o resultado dessa pesquisa da ONG mexicana desperta muita atenção e estranheza, sobretudo diante de um quadro constante de 16 cidades em que só uma do eixo sudeste/sul está incluída, qual seja, Belo Horizonte. As outras 15 são das regiões Norte e Nordeste. E nem Rio de Janeiro nem São Paulo estão inclusas nessa lista!

Realmente, esse “ranking” das cidades apontado pela ONG mexicana é muito estranho porque, no olhar de cada pessoa (e também no ouvir e assistir pela televisão), a violência entre nós, aqui em João Pessoa, apresenta-se como bem menor do que em Rio de Janeiro e São Paulo. Bem menor, mesmo na proporcionalidade habitacional!

Lembramo-nos que em setembro do ano passado estivemos no Rio de Janeiro e lá nos chamou a atenção uma notícia de que em agosto/2013 ocorreram na Cidade Maravilhosa nada menos do que 406 homicídios dolosos (item este com o qual a pesquisa da ONG mexicana teria medido o nível de violência nas cidades brasileiras). Repetimos: 406 homicídios dolosos só em um mês, mês de agosto/2013. E nesse “ranking” agora divulgado João Pessoa contabilizou 515 casos ao longo de 12 meses, correspondendo a uma média mensal de 43 casos (43 casos por mês, reforce-se).

Toda essa nossa perplexidade diante destes números emitidos pela ONG mexicana, muito mais pela colocação das três cidades nordestinas em 1º, 2º e 3º lugares no “ranking” da violência (Maceió, Fortaleza e João Pessoa), seguidas de Natal e Salvador nas 4ª e 5ª posições, respectivamente, é a preponderância do Nordeste e a ausência das regiões Sudeste e Sul, principalmente Rio de Janeiro e de São Paulo no quadro das 16 cidades listadas!
É mesmo crível que a violência em um Rio de Janeiro e São Paulo esteja menor que em João Pessoa?

Por que são tantos os cariocas e paulistanos (além de outros brasileiros de outras grandes cidades) que aqui chegam e exaltam a tranquilidade que “respiram” entre nós? (É claro que essa “tranqüilidade” é relativa, porquanto o que querem dizer é “menor violência”).

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