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Administrador, pós-graduado em Planejamento Operativo, já atuou na administração pública federal, estadual e municipal. Ocupou por três mandatos o cargo de presidente do CRA-PB e de diretor do Conselho Federal de Administração. Desde 1993 exerce as funções de Diretor Executivo da AETC-JP. Contato: diretorexecutivoaetc@yahoo.com.br

Atraso dos ônibus… ou do trânsito?

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publicado em 20/02/2014 às 13h54
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As cidades, especialmente as grandes e até as de porte médio, têm tido seus sistemas de transporte coletivo urbano muito “xingados”, preponderando as reclamações referentes aos atrasos nas viagens. E tais reclamações ocorrem no Brasil inteiro, sendo que o atraso reclamado tanto é porque o ônibus demora a chegar na parada/abrigo em que se o espera, quanto demora na duração da própria viagem. É óbvio que um fato está relacionado ao outro: se o ônibus chegou ou chega atrasado em determinada parada/abrigo, geralmente foi ou é porque a própria viagem tem ou vem se prolongando por mais tempo que o previsto. E essa maior duração da viagem tem a ver com o trânsito!

Raramente a viagem do ônibus atrasa porque as empresas operadoras não tenham providenciado os veículos suficientes para cumprimento dos horários pré-estabelecidos, pré-estabelecimento este da competência do órgão público gestor do respectivo sistema de transporte público de passageiros. Há os atrasos, praticamente todos eles, por causa do trânsito com seus freqüentes congestionamentos! E estes congestionamentos atrapalham e atrasam não só os ônibus, mas, claro, também, os veículos em geral, incluindo os particulares que trafegam em média com o máximo de duas pessoas. Os ônibus, porém, em especial nos horários ditos de pico, transportam, cada um, um número de passageiros equivalente ao transportado por trinta automóveis particulares.

Este clarividente quadro segundo o qual a absoluta maioria da população de cada município desloca-se através dos ônibus, está levando vários governantes municipais a priorizarem mesmo este sistema de transporte público de passageiros, dando-lhe preferência nos caminhos da cidade.

A propósito, tem muito chamado a atenção a cidade de São Paulo, dirigida pelo prefeito, dos quadros do PT, Fernando Haddad. No ano passado (2013) traçara a meta de implantar 150 quilômetros de faixas exclusivas para os ônibus… e já em outubro fizera mais de 200 quilômetros. Aí resolveu concluir aquele ano de 2013 com nada menos do que 300 quilômetros de faixas exclusivas, e agora, em janeiro, já implantou outros 4 quilômetros!

Só mais 4 quilômetros?!… – poderá perguntar-se, como a menosprezar-se esse número para uma cidade tão grande como a capital paulista. Atente-se que estes 4 quilômetros foram inaugurados já em 20 de janeiro, todavia simultaneamente ao anúncio, feito pelo prefeito petista, de que até o ano 2016 São Paulo contará com 150 quilômetros de corredores exclusivos para os ônibus! Corredores… não são “simples” faixas!

É inadiável as Prefeituras das médias e grandes cidades priorizarem o transporte coletivo. Os corredores exclusivos são fundamentais e representam avanços extraordinários. Porém, os corredores (BRTs) são obras de médio e longo prazos e exigem muitos recursos… e mais tempo. As faixas são simples faixas, fáceis de serem pintadas e imediatamente atenderem às expectativas da absoluta maioria da população, deixando bem claro, perante essa população, que hoje não são os ônibus que atrasam… é o trânsito (em que hoje estão misturados automóveis particulares com o transporte coletivo) que atrasa os ônibus!