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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Vale tudo

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04/03/2014 às 10h08
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Houve um tempo em que as alianças políticas obedeciam fundamentos para celebração. Linhas programáticas e afinidade ideológica eram alguns deles. O eleitor seguia essa lógica e escolhia determinado agrupamento por saber que ali estavam reunidos os candidatos de pensamentos e posturas convergentes com as suas.

Hoje em dia, a política mergulhou num processo de avacalhamento. O critério número um é vencer, mesmo que para isso se estupre a coerência e se abuse da inteligência do cidadão. Em véspera de eleição, o ‘fenômeno’ está mais latente do que nunca e é visto a olhos nus.

Partidos e candidatos a cargos majoritários são expostos numa vitrine. Mais do que isso, se oferecerem despudoradamente como se estivessem à disposição num grande leilão. Leva quem tiver a melhor proposta. O pior: não são só os nanicos que tanto apanham da mídia. As grandes legendas estão na mesma calçada da prostituição.

Na Paraíba, há um bloco de partidos de posição flutuante. Aguardam o desenrolar dos acontecimentos para decidir sua coligação por razões nada republicanas e pouco confessáveis. Quando não muito, vão para aquele bloco político que lhe ceda vaga na chapa ou possibilite melhor viabilidade aos seus candidatos proporcionais.

Presidentes dessas legendas, geralmente seus manda-chuvas, conversam com todos os três (Cássio, Ricardo e Veneziano) pré-candidatos ao governo, como se esses não disputassem em modos e modelos diferentes de governar e pensar a política. Assim procedem abertamente e se expondo na mídia para valorizar o passe.

Em nenhum momento imaginam que entre espectadores e eleitores há alguém com capacidade de discernimento suficiente para perceber as incoerências e fragilidade de caráter de quem acha normal fazer da política – instrumento de transformação social – num grande balcão de negócios e interesses privados.

Cada vez mais atento, o eleitor já sabe bem qual é o seu papel nesse jogo do vale tudo: chutar pro escanteio os caras de pau.
 

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 01/03/2014 (domingo)

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