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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Entregando o ouro

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publicado em 19/03/2014 às 15h52
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No esporte e na política, as vitórias no tapetão sempre suscitam sentimentos de reprovação e repulsa. Quem ganha algum ponto, campeonato ou mandato por esse meio, geralmente leva pra casa uma vitória de Pirro. Já quem perde, ainda que a derrota seja justa e merecida, sai vitimizado.

Na Paraíba, a cassação do então governador Cássio Cunha Lima até apeou-lhe do poder, mas fez recair sobre o sucessor José Maranhão a revolta de milhares de paraibanos, até entre aqueles que queriam ver o tucano fora do Palácio, mas pela força das urnas, não dos tribunais. No processo eleitoral de 2010, acharam pouco e cristianizaram Cássio. Resultado: o tucano ressuscitado e Maranhão derrotado.

Os adversários do governador Ricardo Coutinho na Assembleia estão para incorrer em grave equívoco caso, movidos apenas pelo desejo de revanche e tática de desgaste político, reprovem as contas de 2011 do governo, balanço financeiro que recebeu parecer favorável do TCE.

Fosse o julgamento eminentemente técnico, poderia até haver elementos a embasar voto pela rejeição das contas. Só que em meio ao clima beligerante instalado e o conhecido enfrentamento interpoderes desde o primeiro dia dessa gestão girassol, a reprovação cheiraria à retaliação nas narinas da opinião pública.

Se a estratégia for sepultar Ricardo e tirá-lo do páreo, está redondamente errada. De algoz inclemente e desapegado de sentimentos – pintado pela oposição – , o socialista passaria à vítima. Alguém que por bater de frente com o Legislativo pagou o preço de perder até o sagrado direito de ser votado.

Uma profusão de perguntas fervilharia na cuca do povo. Tipo: esse Ricardo não está tão desgastado, por que anulá-lo da eleição? Quem tem medo dele? Por erro de avaliação, a oposição corre o risco de inverter os papéis e acabar dando de presente a Ricardo tudo que ele precisa num cenário adverso; um discurso de mártir.

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 19/03/2014 (quarta-feira).

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