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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

As voltas da política

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publicado em 31/03/2014 às 16h50
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Em 2010, por essas horas, qualquer observador da cena política seria capaz de assar um dedo duvidando que quatro anos depois um Luciano Agra, que virou prefeito pela obra de Ricardo Coutinho, votaria em Cássio Cunha Lima contra seu “criador” e um Rômulo Gouveia ficaria com o socialista e não com o amigo de trinta anos.

Pois é. A eleição de 2014 se encaixa mais do que qualquer outra no chavão imortalizado pela inteligência e perspicácia do ex-deputado Manoel Gaudêncio. A política é mesmo dinâmica e na Paraíba muito mais do que em qualquer outro lugar do planeta. Aqui, ela é uma roda gigante, doutor Manoel.

Basta deparar-se com Ricardo Barbosa, histórico ronaldista e ex-líder do governo Cássio na Assembleia, hoje no pelotão de frente do xará e dando as costas à candidatura do filho de Ronaldo. Barbosa soma-se a Ramalho Leite, Buba Germano, Adriano Galdino, Manoel Ludgério e outros ex-seguidores do clã Cunha Lima.

Quem, entre os expectadores da platéia da Câmara de João Pessoa no ano de 2005, imaginaria que o então líder da oposição, Hervázio Bezerra, seria hoje um dos mais ardorosos adeptos do jeito Ricardo Coutinho de governar? Por outro lado, qualquer um riria de quem previsse Roseana Meira, Nonato Bandeira e Lúcio Flávio, pétalas principais do jardim girassol, num palanque adversário do líder do coletivo.

No auge da campanha de 2010, nem a mais fértil imaginação ousaria cogitar que antes que 2014 chegasse, o advogado Marcelo Weick e o empresário Ivan Burity, coordenadores estratégicos da campanha do então governador José Maranhão, virariam homens da confiança de Ricardo Coutinho.

A lista de exemplos é bem mais extensa e o espaço da Coluna seria pequeno para citar, além dos atores principais, outras personagens com papéis coadjuvantes, mas não menos importante nesse enredo. Se um paraibano em coma desde 2010 acordasse hoje e procurasse se informar da política, certamente pediria: “Me belisca”!
 

*Artigo publicado no Correio da Paraíba, edição do dia 31/03/2014 (segunda-feira).

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