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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Refém de si mesmo

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publicado em 16/04/2014 às 16h52
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Indiscutivelmente, é legítimo o direito de postulação do senador Cícero Lucena, que pleiteia à reeleição junto ao PSDB, mas o tucano precisa, antes de tudo, fazer uma análise desapaixonada da atual conjuntura e uma auto-reflexão do saldo de seu mandato. Se assim não o fizer, estará falando ao vento sozinho.

Diferente de 2006, quando Cássio lhe carregou nas costas, numa demonstração de fidelidade na época, o cenário hoje é completamente diferente. O PSDB era governo, cercado de um leque de partidos e com tempo de guia eleitoral sobrando. Hoje, o ex-governador está fora do poder e refém da necessidade de atrair alianças.

Nessas circunstâncias, para figurar na chapa, Cícero teria que ser uma presença indispensável, a começar por uma atuação parlamentar destacada e uma sólida base de prefeitos. E vamos combinar; hoje ele não em uma coisa e nem outra. Efetivamente não se mexeu, durante o mandato, para chegar agora com essa condição.

Pode até ter feito um bom mandato, só que por desleixo ou falta de uma política de comunicação consistente, a Paraíba não tomou conhecimento. Diferente do petebista Wilson Santiago, seu concorrente direto na disputa pela vaga na chapa, Cícero Lucena não tem um prefeito para chamar de seu. E isso não é hipérbole. É constatação.

A última presença de Cícero no ringue político foi na eleição municipal de João Pessoa, seu principal reduto, de onde partiu favorito nas primeiras pesquisas e saiu fragorosamente derrotado e por pouco não fora eliminado da disputa já no primeiro turno, mesmo contando com a solidariedade de Cássio como cabo eleitoral.

Cícero tem seus méritos e merece respeito no PSDB, mas a hora recomenda o recuo, fazendo do gesto um crédito para 2018, quando se abrirão duas vagas ao Senado, em nome de um projeto maior: a volta ao governo. Foi o próprio Cícero quem passou três anos convencendo Cássio de que esse era o melhor caminho para o PSDB.
 

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 16/04/2014 (quarta-feira)

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