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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

E agora, Agra?

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publicado em 17/04/2014 às 17h14

Ele cruzou o último dia da gestão em estado de graça. De vice desconhecido, tido como inábil para a política e em alguns momentos inferiorizado pelo excesso de obediência ao “chefe”, saiu do governo da maior cidade da Paraíba carregando a aura de quem se libertou da subordinação, elegeu o sucessor e derrotou seu “algoz”.

Mesmo assim, o arquiteto Luciano Agra continua sendo uma incógnita e sua liderança oscilando na dúvida: mérito próprio ou força da conjuntura? Só o teste das urnas tiraria a prova dos nove. Mas, pelo visto, não será dessa vez. Ainda que vire vice de Cássio, como abertamente sinaliza, não será votado.

Além do mais, o projeto de disputar como companheiro de chapa de Cássio anda ameaçado pela carência do PSDB que, para atrair apoios de outras legendas e fermentar o tempo do guia eleitoral, está na iminência de puxar Ruy Carneiro para vice e distribuir seu espólio entre ávidos e circunstanciais pretendentes.

Nessa conjuntura, Agra não pode esperar pelo PSDB. O que fazer, então? Com seu partido, o PEN, fechado com Cássio, não há como negociar seu prestígio eleitoral em João Pessoa com outras candidaturas, como a de Veneziano Vital, por exemplo, que o cercou, repetidamente, nessa vertente.

Regressar ao grupo do governador Ricardo Coutinho é carta fora do baralho, diante da profundidade das feridas do racha. Por outro lado, pela sua personalidade desprendida, não se preparou financeiramente para a pesada, e às vezes desleal, concorrência proporcional. E se assim optasse, teria que descartar a Assembleia, para onde o amigo Nonato Bandeira já botou o bloco na rua.

Seduzido pelo incenso do cassismo e a tentação da maçã da vice, o arquiteto fez desse traçado sua rota única, quando deveria ser uma via alternativa, mesmo que outros caminhos fossem a estrada de acesso ao seu desejado destino final. Ignorou as lições e traumas de 2012 e entregou seu futuro, mais uma vez, nas mãos de terceiros.
 

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 17/04/2014 (quinta-feira).

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