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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Colheita

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publicado em 22/06/2014 às 12h02
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O assunto não é novo. A opção do senador Cássio Cunha Lima pelo deputado Ruy Carneiro como seu futuro companheiro de chapa, na vaga de vice, foi feita antes até de oficializar o seu rompimento com o governador Ricardo Coutinho. Desde o começo de 2013, Ruy já monitorava o cenário, vias pesquisas de consumo interno que referendavam sua tese de viabilidade da candidatura própria, a qual Cássio se rendeu.

A escolha por Ruy, porém, é resultado de uma construção bem anterior. Ela é a soma de uma convivência partidária, política e pessoal marcada por seguidos gestos da parte do parlamentar. Gestos que, aliás, credenciaram-lhe a ganhar de Cássio a confiança para presidir o PSDB na sucessão do senador Cícero Lucena.

Entre outros episódios, Cássio guarda a postura adotada por Ruy durante a emblemática eleição de 2010. Se não o teve no palanque com Ricardo, por deferência a Cícero, também não o viu em nenhum momento abraçado com o candidato favorito, o governador de então José Maranhão, apesar das irrecusáveis propostas.

Por essa posição de neutralidade, Ruy foi bombardeado de todos os lados e mesmo assim conseguiu escapar bem e se eleger com votação expressiva. Pagou o preço, literalmente, para não subir no palanque adversário à coligação do seu partido com os socialistas, costurada por Cássio.

Na fase atual, quando Cássio mais precisou de logística para atrair forças e tempo no guia, Ruy não hesitou em ir ao sacrifício, desistir da reeleição e distribuir bases, trazendo adesões. Não deixa de ser mais um gesto arriscado por Cássio, porque troca uma reeleição tranqüila pela sempre imprevisível disputa majoritária.

A definição tem inspiração no livro de Eclesiastes. Debaixo do céu, há tempo pra tudo. Para Cássio, chegou a hora de compensar Ruy, que semeou ao longo dessa convivência política e agora colhe seus frutos.

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 22/06/2014 (sábado).