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Rômulo Halysson Santos de Oliveira é advogado e analista político, graduando em economia pela UFPB, empreendedor cultural e escreve semanalmente coluna de análise política com o título “Olhares Líquidos”.

O Ato Final de Jean Willys.

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publicado em 24/01/2019 às 17h46

Sempre tive profundas divergências a Jean Willys. Na verdade, sempre (sempre) avaliei a tática política do próprio PSOL como equivocada.

E explico.

Ela não tem como parâmetro a formação do militante pelo entendimento e comprometimento com a causa em si, ao contrário, o foco dela é eleger um adversário político comum e centrar fogo nesse embate… um modelo de formação política que é conveniente a ausência de mea culpa. O que vem a ser o grande mau da esquerda brasileira da atualidade. [SIC]

Mas, mesmo quem não gosta de Willys, não pode deixar de reconhecer que ele é (foi) um parlamentar deveras atuante diante das pautas que defende.

Dito isto, passo a escrever sobre o motivo de minha angústia.

Me angustia ver um parlamentar atuante com Jean, tendo que abdicar do legítimo mandato de Deputado Federal que o povo do Rio de Janeiro lhe concedeu, por não achar seguro representá-lo. Isso é grave. Muito grave.

Mais grave do que isso, é saber que o filho do atual presidente – também eleito pelo povo Rio, só que no cargo de Senador da República – está inserido num contexto muito próximo das milícias acusadas de tirar a vida da vereadora Mariele Franco, companheira de partido de Jean.

Não importa se se é de direita, de esquerda, de centro, de cima, de baixo. O que interessa é perceber a gravidade desse ato desesperado.

Um ato que vem logo após a assinatura de um decreto – inconstitucional, diga-se de passagem – do presidente em exercício, Hamilton Mourão, que passou a permitir que servidores comissionados e dirigentes de fundações, autarquias e empresas públicas imponham sigilo secreto e ultrassecreto a dados públicos.

Que danado de tempos são esses?!

O governo eleito com a expectativa de criar soluções para a grave crise moral e econômica brasileira, começou da pior maneira: sucumbindo a politicagens, imoralidades e corrupções, que prometera combater, além de potencializar o ambiente hostil para quem lhe critica.

A mim me resta repudiar tudo aquilo que fuja da normalidade democrática. E, em tempo, me solidarizar com deputado @jeanwyllys_real lembrando o que dizia Oscar Wilde: “Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo”.

Que Jean Willys encontre segurança pessoal que busca. Que o Brasil encontre a segurança institucional que precisa.

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