João Pessoa, 23 de maio de 2017 | --ºC / --ºC 02:06 - 2.3 | 08:13 - 0.3 | 14:26 - 2.4 | 20:38 - 0.2 Dólar 3,27 - Euro 3,67

ÚltimaHora

Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Máscaras no chão

Comentários:
publicado em 01/07/2014 às 00h37
A- A+

O prazo das convenções termina hoje, mas o que se viu até aqui na Paraíba já é mais do que suficiente para uma rápida conclusão: o nosso processo eleitoral é inspirado em pessoas, não sequer em projetos políticos, muito menos administrativos. Quase todos os conchavos de última hora e acordos surpreendentes seguem essa débil rota.

Os partidos – instâncias representativas da sociedade – decidem e se aliam baseados em interesses menores e invariavelmente movidos pelas aspirações particulares de poder de um grupo seleto de dirigentes. À militância – tão invocada na retórica – cabe apenas o olhar passivo. Às vezes, descrente e chocado.

Os acordos e destratos da madrugada. Os acertos financeiros e estruturais. São esses os ingredientes, guardadas as honrosas exceções, que pesam na hora das definições. O tal espírito público – hipocritamente declarado aos quatro ventos – é despudoradamente atropelado pela bolsa das circunstâncias.

Não há, infelizmente, fronteira moral entre o que é espúrio, fétido e incoerente da decência, coerência e respeito que o eleitor, inocentemente, espera dos agentes e homens públicos, delegados pelo povo para guiar governos e parlamentos à vereda do que é justo, correto e transparente.

Na Paraíba, em particular, a própria cultura das definições na undécima hora – renovada a cada processo eleitoral – já fala mais do que mil palavras. Em tese, muito antes da contagem aberta do prazo das convenções, partidos e líderes deveriam saber, de antemão, com qual “projeto” mais se identificam pra seguir.

Não é o que se vê e se testemunha em lances de corar garota de programa. O processo eleitoral paraibano tem sido marcado pela escancarada mercantilização e desavergonhada prostituição. Do jeito que está, as campanhas de conscientização do voto limpo precisam mudar de endereço: do eleitor para os políticos.

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 30/06/2014 (segunda-feira).

Leia Também