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Kelvin é a esperança de título do Brasil no Mundial de skate

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publicado em 13/01/2019 às 12h34
atualizado em 13/01/2019 às 12h35
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Aos 8 anos, Kelvin Hoefler era a típica criança agitada, apaixonada por esportes. Ganhou um skate do pai e, como morava numa rua de terra no Guarujá, no litoral paulista, não teve dúvidas: fez dos cômodos de casa sua pista de treinos. Praticando manobras na cozinha e atrapalhando a mãe, que queria ver novela, o garoto passou a levar a brincadeira a sério. Venceu pequenos campeonatos locais aqui e acolá até decolar.

Hoje considerado um dos melhores atletas da modalidade, com seis títulos mundiais, Kelvin é um dos favoritos na Street League Skateboarding, o Mundial de skate street, que termina hoje, na Arena Carioca 1, dentro do Parque Olímpico da Barra.

— Minha mãe ficava p… da vida quando eu passava de skate na frente da TV da sala — lembra ele, dando risada, antes de contar como o esporte o mudou como pessoa: — Eu era muito fechado. O skate me ajudou a interagir mais, a me tornar alguém melhor.

Mas o “carrinho”, como o skate muitas vezes é chamado pelos atletas, entrou em cena após Kelvin ter tentado outros dois esportes. Nas palavras dele, foram dois traumas.

— Queria jogar futebol. Fazia escolinha, e ninguém tocava a bola para mim! Traumatizei e desisti. Resolvi tentar surfar, mas odiava água gelada. Meu pai comprou uma roupa de neoprene que era muito grande. Entrou água, quase morri sufocado. Mais um trauma. Desisti também — diverte-se ele.

‘Nunca bebi, nunca fumei’, conta o paulista

Competitivo desde pequeno, Kelvin Hoefler tomou de assalto o circuito mundial de street, enfileirando conquistas. O primeiro de seus seis títulos mundiais veio logo no ano em que se tornou profissional, em 2011. As vitórias, porém, não se explicam apenas pelo talento do paulista de 24 anos. Desde o começo, ele botou na cabeça que dedicação e disciplina seriam importantes, fugindo do estereótipo “largado” muitas vezes associado aos skatistas. O pai, policial, ajudou um pouco a colocar ordem em casa.

— Nunca bebi, nunca fumei. Nem costumava andar com a galera. No skate ou você é “lifestyle”, fazendo vídeos e andando relaxado, ou é focado em competição, treina, tem a hora certa de comer, de ir na academia. Eu me encaixo nesse segundo grupo — diz Kelvin.

Com toda essa disciplina e espírito competitivo, não é difícil presumir que ele já pensa em 2020. Os Jogos Olímpicos de Tóquio estão logo ali e são o sonho maior do skatista, considerado uma das grandes chances de medalha para o Brasil. O palco da Street League — a Arena Carioca 1, usada na Rio-2016 — ajuda a inspirar, mas coloca o nervosismo nas alturas:

— Fui criado para isso, para competir. Mas olha minhas unhas: já estão todas roídas.

A final masculina da competição começa às 18h, depois da final feminina, que tem início marcado para 15h.

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