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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Pela metade

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publicado em 13/08/2014 às 11h32

Foi, no mínimo, curioso ouvir o governador Ricardo Coutinho culpar ontem a gestão municipal do PSDB, hoje seu adversário, pela superlotação do Hospital de Trauma Dom Luiz Gonzaga de Campina Grande, problema que culmina com outro: a retenção de macas e o entrave do Samu.

Até onde consta, o excesso de atendimentos na unidade de saúde campinense existe bem antes do rompimento do governador com o clã Cunha Lima, incluindo o prefeito Romero Rodrigues. E não se tem notícia de qualquer declaração semelhante de Ricardo quando vivia em lua de mel com os ex-aliados.

Antes, quando o prefeito de Campina Grande era Veneziano Vital, o governador também acusava a gestão municipal de uma ineficiência responsável pela superlotação do Trauma. Romero virou prefeito e as críticas de Ricardo cessaram. Até que veio o rompimento e a conversa mudou de tom.

O governador, porém, está certo quando diz que a situação não se resume a falta de macas, porque o Estado não teria dificuldades de comprá-la, imagina-se. A questão passa, obviamente, pela fragilidade do sistema, demanda além da conta e, por último, pelas falhas na regulação, provocando o caos; no Trauma e no Samu.

O que surpreende, entretanto, é o caráter seletivo do socialista ao tratar uma questão tão séria, aproveitando a ocasião para desviar a crise para o campo político. Esqueceu Ricardo que idêntico ou pior quadro ocorre no Trauma de João Pessoa, igualmente lotado e famoso por reter macas do Samu.

Nem por isso, Ricardo culpou, responsabilizou ou transferiu para a gestão da Capital. Talvez porque o prefeito Luciano Cartaxo é hoje um aliado importante no seu projeto de reeleição.
 

*Artigo publicado na coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 13/08/2014 (quarta-feira).

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