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aos 81 anos

Morre ator, roteirista e diretor Joel Barcelos

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publicado em 11/11/2018 às 09h21
atualizado em 11/11/2018 às 14h56
(Foto: Aline Arruda)

O ator Joel Barcelos morreu na madrugada desse sábado, 10, aos 81 anos, na cidade de Rio das Ostras, no interior do Estado do Rio de Janeiro, de acordo com o portal UOL. A causa da morte de Barcelos ainda não foi divulgada, porém nos últimos dois anos o ator já havia sofrido dois AVCs.

Um dos papeis mais conhecidos de Barcelos foi como o personagem Chico Belo, da novela Mulheres de Areia, em 1993. No entanto, sua contribuição mais marcante como ator foi nas telonas.

Barcelos marcou época como um dos principais nomes do Cinema Novo brasileiro. Ele atuou no quinteto de curtas Cinco Vezes Favela (1962) e nos longas Os Fuzis (1964), um dos mais relevantes filmes de Ruy Guerra; A Falecida (1965), adaptação de Nelson Rodrigues por Leon Hirszman; Garota de Ipanema (1967), também de Hirszman; e Copacabana me Engana (1968), de Antonio Carlos da Fontoura, entre outros.

Em 1969, durante a ditadura militar, Barcelos se exilou na Itália, de onde retornaria apenas em meados da década de 1970, quando atuou em Sagarana, o Duelo (1974), de Paulo Thiago, inspirado em um conto de Guimarães Rosa.

Nascido em Vitória, em 27 de novembro de 1936, Barcelos foi, além de ator, diretor e roteirista de filmes como O Rei dos Milagres (1971) e Paraíso no Inferno (1977).

Barcelos mudou-se da capital do Espírito Santo para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, aos três anos. Durante o período em que cursou Agronomia na faculdade, ele participou de peças universitárias. Não tardou para que o ator tentasse a carreira no cinema, o que aconteceu em 1955, com uma pequena participação em Trabalhou Bem, Genival (1955), dirigido por Luiz de Barros.

Aos 22 anos, Barcelos estreou de verdade nos palcos em uma montagem do Teatro de Arena do texto Eles Não Usam Black-tie, do dramaturgo, ator e diretor italo-brasileiro Gianfrancesco Guarnieri, em 1958.

Foi nos anos 1960, no entanto, que Barcelos se tornaria um rosto incontornável no cenário do Cinema Novo, atuando em dezenas de filmes de sucesso da época.

Durante seu exílio na Europa, em meio ao recrudescimento do regime militar no Brasil, Barcelos participou de diversas produções italianas e francesas. Barcelos tem uma atuação não creditada no filme O Conformista, dirigido em 1970 pela lenda do cinema italiano Bernardo Bertolucci, e é um dos protagonistas de France Société Anonyme (1974), uma ficção com direção de Alain Corneau que se passa no ano 2222.

Além de sua relevante carreira no cinema brasileiro e europeu, Joel Barcelos colaborou também com a teledramaturgia nacional a partir da segunda metade da década de 1980. O ator desempenhou papeis em minisséries e especiais da TV, como O Pagador de Promessas (1988), Tereza Batista (1992), Memorial de Maria Moura (1994) e Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados (1997). A principal lembrança do público, entretanto, talvez seja seu papel como Chico Belo, o pescador mulherengo da clássica novela Mulheres de Areia, de 1993.

As atuações de Joel Barcelos em Jardim de Guerra, dirigido por Neville de Almeida em 1970, e em Beijo 2348/72, de 1990, de Walter Rogério, renderam dois prêmios no Festival de Cinema de Brasília, como melhor ator e melhor ator coadjuvante, respectivamente.

Os últimos trabalhos de Barcelos no cinema foram O Homem Nu (1997), longa de Hugo Carvana, adaptação cinematográfica de um livro de Fernando Sabino; e o curta A Dama no Estácio (2012), dirigido por Eduardo Ades.

Estadão

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