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Duque de Caxias

Baleada na nuca por PM tem morte cerebral confirmada

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publicado em 21/08/2018 às 18h46
atualizado em 21/08/2018 às 19h05

Vânia Silva Tibúrcio Lopes, de 36 anos, teve a morte cerebral confirmada pela Prefeitura de Duque de Caxias na tarde desta terça-feira (21). A costureira foi atingida por um tiro de fuzil na nuca durante uma abordagem policial no bairro de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Em entrevista à RecordTV, o marido da vítima, o auxiliar de manutenção Carlos Alberto Lopes, contou que, na noite de segunda-feira (20), os dois estavam no carro quando receberam a ordem de parada de uma viatura PM. O marido da vítima, que conduzia o veículo, disse que abriu os vidros, acendeu a luz interna, estacionou próximo a um sinal de trânsito — onde havia outra viatura da polícia parada — e saiu do carro. Em seguida, “o policial da viatura atrás aplicou o tiro que acertou fatalmente na minha esposa”, contou.

Carlos Alberto disse ainda que o policial militar se desculpou “mais de dez vezes” quando percebeu o erro durante a ação.

Vânia foi socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal Moacyr do Carmo. De acordo com a prefeitura, a morte foi confirmada pela equipe do Programa Estadual de Transplantes por volta das 15h40. A vítima passou por tomografia e “o exame identificou um projétil alojado em base de crânio”, diz a nota oficial. Após o exame, ela foi transferida para o CTI (Centro de Terapia Intensiva) da unidade, onde permaneceu durante todo o período de internação.

Versão da PM

Em nota, a Polícia Militar afirmou Carlos não obedeceu a ordem de parada e tentou fugir da equipe. O veículo teria sido perseguido e alcançado por outras viaturas em um sinal de trânsito.

“O motorista desembarcou com o veículo ligado e engrenado. O carro, em movimento, quase atropelou um dos policiais, induzindo a guarnição a achar que se tratava de uma tentativa de fuga ao bloqueio por supostos outros ocupantes. Foi quando houve o disparo.”

Policiais pensaram que carro era roubado

O veículo conduzido pelo marido da vítima constava como roubado desde abril.

“Já tínhamos passado por uma viatura, próximo a nossa casa, e essa viatura acho que jogou a placa do carro e constou [que o veículo era roubado] e eles vieram atrás”, disse Carlos Alberto.

De fato, o carro do casal havia sido roubado, em abril deste ano, mas foi recuperado. Carlos levou o veículo até uma delegacia, onde foi informado que precisaria ir ao Pátio Legal, que abriga automóveis roubados ou furtados, para regularizar a situação. O atendimento aconteceria nesta terça (21).

Carlos Alberto e os policiais envolvidos na ação prestaram depoimento na DHBF (Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense), que investiga o caso. As armas dos agentes foram apreendidas para exame pericial. Agora, a Polícia Civil procura por testemunhas e imagens das câmeras de segurança do local do crime para analisar a conduta dos PMs.

Antes da nota enviada pela assessoria de imprensa da Polícia Militar, o porta-voz da corporação, major Ivan Blaz, admitiu o erro e classificou o caso como “uma grande tragédia”.

“Mas é importante frisar também que até o momento em que o carro é acompanhado e abordado, não houve ali uma ação a ser criticada por parte dos policiais. Sem dúvida nenhuma, a decisão de efetuar o disparo foi uma decisão errada. Mas se leva em consideração todo esse contexto que a gente tem vivido hoje de violência. Em uma situação de erro, a decisão de atirar é tomada em uma fração de segundo”.

De acordo com Blaz, a corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso. Ao deixar a DHBF, os agentes envolvidos na abordagem também foram ouvidos na Delegacia de Polícia Judiciária Militar.

R7

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