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Odilon Fernandes – advogado, escritor, professor e procurador federal aposentado.

Aprendiz de salva vidas

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publicado em 18/05/2018 às 18h45

Sempre fui muito afoita, aventureira. A cada viagem ou passeio que fazíamos, eu procurava aproveitar ao máximo tudo o que tinha direito.

Certa vez, fomos ao parque aquático de Fortaleza e, já com meus 65 anos, fiz questão de ir em todos os brinquedos que o estabelecimento oferecia. Escolhi um tobogã daqueles em forma de espiral e, antes da descida, fui instruída a permanecer com os braços e pernas cruzados até a queda na água. Contudo, antes de chegar ao fim do percurso, abri os braços e as pernas e “voei” toda desajeitada, caindo drasticamente na piscina, quase me afogando. Consegui chegar à superfície, recuperei o ar, e dei continuidade à diversão.

Segui em direção ao próximo tobogã, dessa vez, bem mais alto e inclinado verticalmente, sem curvas, como se estivéssemos numa queda livre. Novamente fui instruída a descer com os braços e pernas cruzados e, dessa vez, assim o fiz. O que deu errado, eu não sei, mas novamente caí de mau jeito na água e não consegui encontrar a superfície. Quando dei por mim, já estava sendo carregada por Odilon que, ali mesmo, na piscina, desesperado, forçava uma respiração “boca a boca” seguida de algumas batidas nas costas. O salva vidas do parque que inspecionava o local avistou o tumulto e, correndo, aproximou-se e se deparou com a cena do salvamento desajeitado. De longe o profissional já gritava desesperado para Odilon: “Pare! Pare! Você vai matá-la dando esses beijos nela! Pare! Pare!”

POLENTA DE RICO

Numa viagem de negócios a São Paulo, convidei para um jantar dois amigos e clientes, responsáveis pelo Banco para qual presto serviços jurídicos. Escolhi um restaurante fino e caro da Capital Paulista. Chegamos, sentamo-nos e fomos atendidos. Pedi ao metre que nos sugerisse um bom prato, “a especialidade da casa!” e, cordialmente, indicou-nos: “ah, nós temos um excelente prato! Ele serve Polenta com Frango, ao tempero especial da casa!”. Pensei rápido, com meus botões: “hum… polenta é angu, então deve ser barato!”. Entramos em acordo e pedimos os três este mesmo prato. Comemos, nos saciamos com vinhos, licores e sobremesa e, por fim, pedi a conta. Quase caio pra trás quando recebo R$850,00 como valor total do jantar.

No dia seguinte, ao voltar de viagem, já em casa, contei para a família o ocorrido, destacando o valor do jantar na Grande Cidade. Fui, então, consolado pelo belo discurso de minha mãe, que fez questão de me assegurar: “meu filho, com esse dinheiro, eu te alimento com angu o resto do ano inteiro!”.

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