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EM ENTREVISTA

“Um homem se masturbou na minha frente”: Alice Wegmann sobre assédio

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publicado em 03/04/2018 às 18h37
atualizado em 03/04/2018 às 18h39

A carioca Alice Wegmann é espevitada e dona de um entusiasmo contagiante. Quando fala de Maria, protagonista da série “Onde Nascem os Fortes”, que estreia na TV Globo este mês, no horário das 23h, a atriz de 22 anos mostra o braço arrepiado.

“Não à toa ela carrega esse nome. Tem um pouco da potência e da força de Maria Bonita e de todas as Marias deste país”, diz, sobre a personagem que se envolve involuntariamente num crime e se embrenha no sertão nordestino em busca do irmão desaparecido. “É o tipo de personagem que estamos acostumados a ver representado por homens. Imagine a quantidade de meninas que vai se identificar com ela e dizer: ‘Cara, eu tenho essa garra dentro de mim!’.”

A vibração com cada papel começou aos 11 anos, quando trocou a ginástica olímpica, praticada desde os 3, pelas aulas de teatro no curso Tablado, no Rio. Escorpiana com ascendente em Aquário e Lua em Peixes, se define como “intensa e sensível”, alguém cujo “mapa astral inteiro caminha para o lado artístico”. Soma sete novelas, incluindo uma protagonista de Malhação, aos 15, peças e um filme.

A arte é, para ela, um meio de expressar seu engajamento político. “A Cecília, da minissérie Ligações Perigosas (2016), foi uma menina seduzida por um cara mais velho, prometida para outro e apaixonada por outro. Foi obrigada a amadurecer cedo, como todas nós, mulheres, porque precisamos acordar para este mundo cruel, para nos defender”, observa a atriz, que conta já ter sido vítima de assédio.

Há dois anos, um homem parou na sua frente, abriu a calça e se masturbou enquanto ela saía de um bar com as amigas no bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. “Imagine a quantidade de mulheres que passa por isso diariamente? Como atriz, tendo voz, me sinto na obrigação de falar. Já passou da fase de dizerem que é mimimi.”

Nas redes sociais, manifesta-se sobre essas questões, indica livros e levanta bandeiras feministas. Emocionou meninas ao narrar suas dificuldades em aceitar o próprio corpo. “A insegurança veio quando me vi exposta em Malhação. Fiquei sem sair de casa porque me sentia feia. Amo ser atriz, mas já pensei muitas vezes: ‘Caraca, será que vou aguentar a pressão?’.” É no movimento feminista que encontra ajuda. “Os tempos são difíceis e nossa luta, diária. O feminismo me ensina a me aceitar, me amar e dar força para outras mulheres.” Mas o futuro é promissor: “Esse foi o melhor verão de todos os tempos! Fomos à praia ligando menos para estrias, gorduras, teve a bunda da Anitta. Está mudando rápido”.

Hoje, diz Alice, não se importa em não estar tão magra quanto há alguns anos: “No fim, a liberdade é a ausência do medo de você ser quem você é”.

Marie Claire

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