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OPINIÃO

“É ato político”, diz Bruna Linzmeyer sobre “título” de lésbica

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publicado em 29/03/2018 às 17h46
atualizado em 29/03/2018 às 17h49

Sentada num banco do Parque Lage, no Rio, de bermuda, camiseta e tênis, cabelos presos num elástico, aos 25 anos, Bruna fala sobre o tempo em que vivia uma vida mais simples em Corupá, de 12 mil habitantes, no interior de Santa Catarina.

“Pegava fruta no pé, fazia trilhas para cachoeiras e brincava na rua”, lembra. Saiu da cidade natal aos 16 anos para tentar ser modelo em São Paulo, e logo se mudou para o Rio, ao passar no teste para a minissérie “Afinal, o que Querem as Mulheres? (2010)”, de Luiz Fernando Carvalho. Em oito anos, construiu uma das carreiras mais bem-sucedidas de sua geração. Fez sete novelas e dez filmes, entre eles “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues, que estreia este ano.

Deve voltar às novelas em 2019, e até lá aproveita para representar “O Filme da Minha Vida”, de Selton Mello, em festivais pelo mundo. “Tive a sorte de ser escolhida naquele primeiro teste e de continuar sendo atriz, porque, às vezes não acontece, não te chamam para outros trabalhos. Mas comigo rolou.”

Sempre que se refere a si mesma e à sua vida profissional, Bruna reafirma a consciência de seus privilégios. “Sou branca de olhos azuis, conhecida, e posso escolher o que fazer como atriz, num país onde a maioria não pode simplesmente trabalhar”, diz.

Sobre o assédio no meio artístico: “Em comparação com o que rola por aí, está tranquilo”, diz. “Vai nas periferias das capitais ver como é a vida das mulheres. É treta!” No entanto, às vezes, ser Bruna Linzmeyer não é tão fácil. Em 2015, terminou uma relação de quatro anos com o ator Michel Melamed e engatou um namoro com a cineasta Kity Féo, o que a fez vítima de ataques homofóbicos. “Nunca pensei em omitir. Seria contra tudo o que penso”, diz. Sofreu outras consequências. “Perdi trabalhos de publicidade, mas não me importo. Fiz uma escolha.” Hoje, exibe orgulhosa o namoro com Priscila Visman e se define como “mulher lésbica”: “É um ato político. Aceito estar na caixinha, se isso é importante para a luta contra a homofobia”.

Marie Claire

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