João Pessoa, 22 de outubro de 2017 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora

Formado em Psicologia e Especialista em Psicopatologia Psicanalítica Contemporânea pela Universidade Federal da Paraíba. Atuou na área clínica, na saúde mental e hospitalar. Exerceu o mandato de Vereador em João Pessoa por duas legislaturas e atualmente é Secretário de Transparência Pública da Prefeitura Municipal de João Pessoa.

O que Renato Russo diria à Geddel Vieira Lima?

Comentários:
publicado em 08/09/2017 às 09h19

Ao ver os noticiários hoje me deparei com duas matérias que me remeteram de forma antagônica a ligar dois personagens que se cruzaram na década de 70 em Brasília. Nas matérias policiais, era exibido o final cansativo da contagem de mais de 51 milhões de reais atribuídos ao ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, que foram encontrados em um apartamento “abandonado” em Salvador. Na parte mais leve do noticiário, era exibida uma exposição no Museu da Imagem e do Som em São Paulo, com mais de mil itens do acervo pessoal de Renato Russo, líder da Legião Urbana, ícone de mais de uma geração do rock nacional.

Me lembrei de imediato da leitura que fiz em 2009 do livro Renato Russo – O filho da revolução, do jornalista Carlos Marcelo, nascido em João Pessoa e radicado em Brasília. O autor se debruça na história familiar, na vida escolar, nas influências musicais e principalmente na formação da Legião Urbana entre os cantos de concreto de da capital federal.Dentre várias outras questões que me foram impactantes na época, me veio à memória uma passagem curiosa, onde o autor relata os anos difíceis de convivência escolar de Renato Manfredini Júnior após a descoberta daepifisiólise, doença que se caracteriza pelo deslocamento do colo do fêmur, que além de obrigar Renato à um procedimento cirúrgico, lhe trouxe também várias limitações.

Nesta passagem da obra, o autor relata um trabalho em grupo com a temática relacionada à música que seria de responsabilidade de Renato quando este cursava o primeiro ano no colégio Marista de Brasília. De imediato, Manfredini Júnior, de forma criteriosa, selecionou alguns colegas e em tom mais enfático, teria recusado a participação de outros que apenas queriam se beneficiar, sem o devido envolvimento e comprometimento com o trabalho. Um deles era Geddel Vieira Lima, descrito como um dos palhaços da turma e tachado por Renato como “i-n-s-u-p-o-r-t-á-v-e-l” e muitas vezes apelidado de “suíno” pelos colegas, o gordinho já afirmara em bom tom na época: “eu vou ser político!”

Seguiram então seus destinos em caminhos diametralmente opostos em percurso, em atitude e principalmente em caráter. Enquanto Renato Russo influenciava multidões a partir das suas canções, como crianças que derrubavam reis, fazendo comédias com as suas leis, o “insuportável” Geddel aprendia com perfeição a estupidez do povo, todo roubo e toda indiferença, faturando alguns milhões. Mas como profetizou o próprio Renato, a vida deixa marcas, tenha cuidado, se um dia você dançar…

Leia Também