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Em Brasília

Artista é detido em apresentação com nudez

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publicado em 17/07/2017 às 15h38
atualizado em 17/07/2017 às 15h40

O dançarino paranaense Maikon Kempinski foi detido pela Polícia Militar neste sábado (15) por “ato obsceno” enquanto fazia uma apresentação que envolvia nu artístico ao ar livre, em frente ao Museu Nacional, na área central de Brasília. Na delegacia, ele foi liberado após comprometer-se  a comparecer à Justiça. Após a repercussão negativa do episódio, o artista recebeu desculpas públicas do governador Rodrigo Rollemberg.

“O governo de Brasília destaca a importância da cultura. Rollemberg e Reis(secretário de Cultura, Guilherme Reis) lembram que a cultura é sempre bem-vinda à capital da república e lamentam o desconforto causado ao artista, pois o governo acredita, apoia e incentiva a livre manifestação artística”, afirmou o governador, em nota, na noite deste domingo (16).

O artista qualificou a atuação da PM como violenta. “O governador disse que isso não poderia ter acontecido e que ele entrou em contato com o comandante-geral da Polícia Militar para apurar. Disse que minha arte e eu somos bem-vindos em Brasilia e falou que nos dá total apoio.”

“Estou em contato com o Sesc e vamos tratar dos assuntos jurídicos e providências. O secretário de Cultura também me ligou e disse que aquele local é um espaço livre de manifestações artísticas, que já houve ali muitos trabalhos de arte com nudez e que o que ocorreu é inadmissível. Eu e minha equipe queremos retornar ao local ainda este ano para nos apresentarmos, com o total apoio e proteção do governador.”, acrescentou.

A Polícia Militar  informou que ele não apresentou documentos comprovando a autorização para a performance. A corporação disse ainda que atuou após receber denúncias de pessoas no local incomodadas com a apresentação.

“No local não havia nenhuma estrutura que pudesse impedir a aproximação de crianças, o que revoltou algumas famílias que aproveitavam o dia ao lado de crianças para conhecer os monumentos de Brasília e que ficaram surpresas ao presenciar o ato obsceno”, afirmou a corporação.

“Apresentações desta natureza não são recomendadas para menores de idade, logo deveria ter sido realizada em um ambiente fechado ou controlado. A Polícia Militar ainda informa que apoia todos os eventos culturais da cidade, proporcionando segurança para que eles ocorram”, completou a PM.

O Sesc repudiou a detenção do artista. “O Sesc-DF ressalta que a instituição tinha a autorização do Museu Nacional da República, assinada pelo diretor Wagner Barja, para realização da peça e tomou o devido cuidado de informar que se tratava de um espetáculo com classificação indicativa de 16 anos, que ocorreria no período noturno, às 19h30”, explicou.

“A proibição da peça em Brasília, os prejuízos materiais à obra e a detenção do artista constituem uma arbitrariedade que coloca em risco não apenas a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição Brasileira e por documentos internacionais dos quais o Brasil é signatário, bem como interfere nos direitos culturais do público do trabalho. Não vivemos mais em uma época em que um policial militar pode definir isoladamente a realização ou não de um evento cultural.”

A apresentação faz parte do festival Palco Giratório, promovido pelo Sesc. Ela envolve o artista aplicar uma substância seca sobre o corpo, dentro de uma bolha inflável, onde o público pode entrar e permanecer. O artista então, como uma cobra, faz um “rito de passagem” por várias formas do corpo.

G1

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